Opinião: Como fica o esporte em meio a pandemia?

Tema é motivo de debate na sociedade

05 de Março de 2021

Há praticamente um ano atrás ninguém, muito menos quem o escreve, imaginava que teríamos uma pandemia tão perigosa igual estamos passando, tantas pessoas foram infectadas, algumas tiveram sequelas e outras infelizmente não estão mais entre nós. Bem, tudo isso afetou o sistema de saúde, geração de emprego e as mais diversas áreas de trabalho. Dentro disso, se inclui o esporte, o qual é muito questionado por uns e defendidos por outros.

Vamos começar aqui analisando pontos em comuns e diferenças entre o futebol profissional, semiprofissional e o amador. Precisamos entender que os profissionais têm um amparo muito maior, com protocolos rigorosos, profissionais que trabalham exclusivamente para isso. Há testagens realizadas em todos, do roupeiro, fotógrafo até os atletas, isso é realizado semanalmente, garantindo assim a prevenção de isolar o mais rápido possível quem for infectado, além do cuidado de volta quando curados.

O esporte semiprofissional, como as equipes da Pinhalense e Adaf Saudades, tem protocolos muito parecidos com o profissional, mas poucas pessoas vivem apenas disso, geralmente é um trabalho extra, mas que serve como “ganha pão”, para os atletas. Claro que tem pessoas que trabalham na comissão técnica que fazem exclusivamente isso, no entanto essa classe tem um auxílio muito menor se comparado ao profissional, praticamente o mesmo plano que qualquer outro cidadão, o SUS.

Já o futebol amador, a aquela “pelada” entre os amigos, os campeonatos municipais e regionais, tem os protocolos básicos orientados pelo sistema de saúde, ou melhor nem podem ser realizados. A assistência para quem pratica é o SUS ou o plano de saúde particular, onde todos estão completamente lotados. Porém, o contato físico ocorre dentro das quatro linhas em qualquer nível de competição.

A olho nu que está claro que há uma grande diferença. O impacto financeiro atinge as duas primeiras classes gravemente, principalmente o semiprofissional. O perigo de viagens e contatos com outras pessoas é evidente em todos os casos. O fator psicológico e a atividade física atingem forte o esporte amador de maneira quase inevitável. Aqui ainda poderiam ser citados vários outros exemplos, mas vamos ser mais objetivo.

Para a sequência do futebol profissional, precisa ter pelo menos uma ambulância disponível no estádio, coisa que hoje não tem. Mas a continuidade, dentro do possível, pode fazer bem como forma de entretenimento para as pessoas que estão em casa possam acompanhar os jogos e se distrair com algo ao vivo. Isso não significa que a vida dos atletas não importa, todos tem uma família que se preocupam, no entanto o amparo para eles é muito maior. Vale destacar que aqui se encaixam muitos times, onde a maioria deles não tem uma estrutura tão boa quanto os clubes de série A.

Agora o esporte semiprofissional é algo mais delicado para se analisar pois se tem as seguintes situações: Seguir com o trabalho e campeonatos, colocando em risco a vida dos envolvidos, sem a presença do público, que é uma das principais fontes de recursos e incentivo aos atletas, ou então parar tudo e correr o risco de perder os patrocinadores e a possibilidade de enfraquecer o projeto, este envolve todos os sonhos das crianças que almejam algum dia seguir carreira.

É uma situação delicada a todos, inclusive para nós da imprensa esportiva, sempre presente em todas estas classes esportivas. Mas vale lembrar que sem vida não há esporte de maneira alguma. Talvez esperar uns dias a mais seja a solução, mas isso depende de a comunidade estar unida, seguir as regras impostas em cada munícipio. As empresas não desistirem de investir nos projetos esportivos, mesmo com a dificuldade financeira. Campeonatos municipais e regionais vão ter que esperar um pouco mais, infelizmente. É hora de nos cuidarmos.

 

Por Felipe Eduardo Zamboni

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