O Brasil sofre da doença holandesa?!
Uma reflexão sobre a economia em 2025
A perspectiva da economia brasileira para 2025 é uma incógnita. Até mesmo os mais brilhantes economistas têm receio em prospectar algo de médio prazo para o país. O apreçamento do dólar frente ao real, a pauta exportadora baseada em commodities e a redução da participação da indústria na composição do Produto Interno Bruto (PIB) tem suscitado discussões no campo conceitual se o Brasil sofre ou não da Doença Holandesa.
A Doença Holandesa, de maneira simples, foi um fenômeno observado entre as décadas de 60 e 70 na Holanda, quando o país nórdico encontrou grande reserva de gás natural e passou a fornecer o produto para vários outros países, especialmente da Europa.
Num primeiro momento, registrou-se um crescimento de renda e uma concentração de investimentos no setor desta matriz energética (boom). Porém, em consequência o Florim se valorizou e a participação da indústria na composição do PIB caiu nos anos seguintes.
No Brasil, um dos defensores da tese da Doença Holandesa é o ex-ministro e professor Luiz Carlos Bresser Pereira. Mas, não há, entre os economistas, uma unanimidade sobre o tema. Alguns estudos com o uso de estatística e variância tentam correlacionar hipóteses que mostram a existência do efeito holandês no Brasil. Entretanto, sempre fica a dúvida: não desenvolvemos por priorizarmos o setor exportador primário ou é o chamado Custo Brasil que impede nosso desenvolvimento.
Há indicadores que corroboram com a tese da Doença Holandesa no Brasil. Primeiro, a queda da participação da indústria na composição do PIB. Em 2023, pelo quinto ano consecutivo, houve queda, ficando neste ano em 10,3%. Depois, a valorização do dólar ao longo dos anos. E, por fim, a pauta exportadora nacional se concentra em minério de ferro, complexo da soja e carnes.
Uma análise das Transações Correntes, no Balanço de Pagamentos, também pode trazer alguns indicadores, com a Conta de Serviços apresentando sucessivos déficits.
O Brasil se industrializou muito tarde. Quase 100 anos depois da Europa. Começamos a dar importância estratégica à indústria só na década de 30, no Governo Vargas, com a criação de empresas nacionais para setores importantes. Mantivemos essa política até por volta da década de 70. Depois, as sucessivas crises trouxeram o fenômeno da inflação e estagflação para o dia a dia do país. Entende-se por estagflação, o crescimento do PIB ser menor do que a inflação registrada em um período de tempo.
De volta a 2025, a incerteza é grande. Porém, será um campo vasto para o estudo econômico da teoria da Doença Holandesa e do Custo Brasil. Indefinições sobre a clareza da regulamentação da Reforma Tributária, o cenário de governança política, os déficits públicos recorrentes e o baixo investimento na certa afetarão profundamente a conjuntura econômica.
O Brasil não pode escolher o caminho da desindustrialização, mesmo que custe em fazer escolhas difíceis (trade-off).