
O uso de celulares dentro de unidades prisionais para aplicar golpes pela internet é o foco de uma investigação da Polícia Civil de Santa Catarina que avançou nesta quinta-feira (15), com a deflagração da Operação Trabalho Interno, em Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul. A apuração aponta que um grupo utilizava a estrutura do presídio estadual do município para enganar vítimas, enquanto pessoas do lado de fora auxiliavam na movimentação dos valores obtidos ilegalmente.
A investigação começou em junho de 2026, depois que um morador de Cunha Porã, no Oeste catarinense, sofreu um golpe durante a negociação de um veículo anunciado em uma rede social. Após o contato inicial, os suspeitos passaram a se apresentar como representantes de um suposto cartório e exigiram pagamentos de falsas taxas de transferência. A vítima realizou transferências via PIX e teve prejuízo financeiro.
A análise dos dados permitiu identificar indícios de que as fraudes eram conduzidas de dentro do Presídio Estadual de Dom Pedrito, por meio de aparelhos celulares que entraram ilegalmente na unidade. Conforme a investigação, familiares e pessoas próximas dos suspeitos davam suporte operacional e financeiro fora da prisão, enquanto contas bancárias de terceiros eram utilizadas para receber e transferir rapidamente o dinheiro.

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Polícia de Cunha Porã, deflagrou a operação para investigar os crimes de estelionato mediante fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em residências e no interior do presídio.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Regional de Garantias da Comarca de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, que também determinou o bloqueio de valores dos investigados. Durante as diligências, uma mulher foi presa em flagrante por tráfico de drogas. Os policiais ainda apreenderam drogas, celulares e outros objetos encontrados nas celas da unidade prisional.
A operação contou com o apoio da Delegacia Regional de Polícia de Maravilha, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio das delegacias de Dom Pedrito e Bagé, e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça, que prestou apoio logístico.
Diante do caso, a Polícia Civil alerta para os riscos de negociações de veículos pela internet, especialmente quando os anúncios apresentam preços muito abaixo do mercado. A orientação também é desconfiar de cobranças de supostas taxas cartorárias por WhatsApp e não realizar pagamentos antes de verificar pessoalmente o veículo e a documentação.











