
A declaração do deputado estadual Mauro de Nadal sintetiza o clima dentro do MDB após a sinalização de uma possível composição com o governo Jorginho Mello. A fala veio em resposta à deputada federal Caroline de Toni (PL) que afirmou ter tratado com o governador a oferta de uma suplência ao Senado como forma de atrair o partido para a base.
A reação foi imediata entre lideranças emedebistas, especialmente entre os quadros mais tradicionais da sigla. A avaliação predominante é de que uma vaga de suplência ao Senado não reflete o peso político do MDB no Estado.
Com 60 anos de história, o partido tem buscado reposicionar seu espaço no cenário estadual após episódios recentes que geraram desgaste na relação com o atual governo. Um dos principais pontos citados internamente é o processo de definição da candidatura a vice na chapa de Jorginho Mello.
Durante as comemorações de seis décadas do MDB, o partido chegou a sinalizar alinhamento ao projeto de reeleição do governador. Na ocasião, o nome do deputado federal Carlos Chiodini foi apresentado como opção para a vice, em um evento que contou com a presença de Jorginho Mello (PL) e discursos de reconhecimento mútuo.
No entanto, o cenário evoluiu em outra direção. Chiodini assumiu função no governo estadual, mas, posteriormente, o nome do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), passou a ser considerado para a composição, movimento que foi interpretado por setores do MDB como uma mudança de rota. Nos bastidores, a palavra “traição” tem aparecido.
Esse episódio contribuiu para ampliar a desconfiança dentro do partido que hoje mantém conversas avançadas com o PSD, em torno de uma possível aliança com o projeto liderado por João Rodrigues. Apesar disso, o processo ainda depende das convenções partidárias, e o MDB – entre os filiados - segue dividido quanto ao caminho a seguir.
A recente proposta envolvendo a suplência ao Senado é vista, nesse contexto, como mais um elemento de tensão. Interlocutores do partido avaliam que, para uma composição efetiva, seria necessário um espaço de maior protagonismo. Algo difícil neste momento, porque a estrada da eleição começou a ser percorrida.
O MDB pretende unir o discurso em torno de um único projeto durante a eleição. Porém, será difícil a construção de uma aliança ampla e unificada entre MDB e o grupo do governador.