
O encontro que reuniu cerca de 50 prefeitos e 20 vice-prefeitos do MDB no Hotel Majestic, em Florianópolis, foi mais do que uma simples agenda partidária. Com a presença do governador Jorginho Mello (PL), da senadora Ivete da Silveira, dos deputados estaduais Antídio Lunelli, Fernando Krelling, Emerson Stein e Jerry Comper, o deputado federal Valdir Cobalchini, além da pré-candidata ao Senado Carol De Toni, o evento escancarou um movimento político que já provoca efeitos dentro da sigla.
Na prática, o grupo emedebista presente sinalizou apoio ao governador. O gesto contrasta com a posição oficial do MDB catarinense, atualmente alinhado ao projeto do PSD, liderado por João Rodrigues. A divergência evidencia um partido tensionado entre estratégias distintas e interesses regionais cada vez mais evidentes.
A reação veio rápida. Em nota contundente, o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, abandonou o tom protocolar e adotou um discurso direto, quase em tom de advertência interna. Sem citar nomes, criticou o que classificou como tentativa de empurrar o partido para uma posição subordinada, baseada em interesses pontuais e distante de um projeto de protagonismo.
Chiodini resgata a trajetória histórica da sigla para reforçar o argumento: o MDB, segundo ele, não foi construído para ocupar papel secundário. O plano de fundo do desabafo são os resultados eleitorais recentes em que houve perda de espaço político. Ressalta-se que nas duas últimas eleições estaduais o MDB não obteve o protagonismo esperado.
O alerta do presidente vai além do presente. Ele mira, com clareza, o cenário das eleições municipais de 2028. Sem citar o próximo pleito, Chiodini projeta que o avanço do PL nos municípios pode redesenhar o tabuleiro político catarinense, transformando o partido do governador no principal adversário tanto do MDB quanto do União Progressista.
A avaliação não é trivial. O fortalecimento do PL, impulsionado pela máquina estadual e pela capilaridade crescente, pode consolidar uma nova força dominante no interior, justamente onde o MDB historicamente construiu sua base.
Diante disso, Chiodini defende uma reação imediata: reorganizar o partido, fortalecer lideranças locais e retomar o protagonismo nas disputas majoritárias. Chiodini observa que a omissão agora pode custar caro no futuro.
O episódio de Florianópolis, portanto, não é isolado. Ele revela um MDB dividido entre o pragmatismo de alianças circunstanciais e a tentativa de preservar uma identidade política própria. Mais do que uma disputa interna, está em jogo o tamanho que o partido pretende ter nos próximos anos.
No fim, a encruzilhada é direta, como o próprio presidente definiu: ou o MDB reencontra seu caminho de protagonismo, ou corre o risco de, gradualmente, se tornar coadjuvante no cenário político catarinense.