
A passagem do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), por Santa Catarina foi marcada por críticas diretas ao governo estadual e pela ausência do governador Jorginho Mello (PL) na agenda oficial. Em entrevista à imprensa, o ministro afirmou que o Estado carece de obras próprias e que os principais investimentos em infraestrutura em andamento são de responsabilidade do governo federal.
Segundo Renan Filho, a falta de iniciativas estruturantes por parte do governo estadual chama atenção em um Estado estratégico para a logística nacional. Ele destacou que as maiores obras atualmente em execução em Santa Catarina são todas federais.
Entre os exemplos citados estão as obras nas BRs 280 e 470, o túnel de Jaraguá do Sul, a intervenção no Morro dos Cavalos, anunciada durante a visita, além da Serra da Rocinha e da recuperação de rodovias no Oeste catarinense.
O ministro também mencionou a BR-163, que, segundo ele, deixou de figurar entre as piores rodovias do mundo após ser reconstruída com pavimento 100% em concreto.
Além da avaliação técnica, as declarações assumiram caráter político. Renan Filho afirmou que o atual governo estadual perdeu tempo com disputas e conflitos institucionais, em vez de concentrar esforços na entrega de obras. Para o ministro, a gestão catarinense atravessou o mandato sem apresentar resultados concretos na área de infraestrutura.
“O governo passa rápido. E por aqui parece que passaram criando confusão”, disse, ao questionar quais obras teriam sido efetivamente realizadas pelo Estado.
A ausência do governador Jorginho Mello na recepção ao ministro foi interpretada como um sinal do distanciamento entre o Palácio do Planalto e o governo catarinense, alinhado politicamente à oposição federal. O episódio reforça uma relação institucional marcada por frieza e divergências ideológicas.
Nos bastidores, a avaliação é de que o embate público também reflete uma disputa narrativa sobre quem leva investimentos e resultados concretos à população catarinense.