
A divulgação da pesquisa Neokemp nesta sexta-feira (26) reposiciona o tabuleiro da sucessão ao Governo de Santa Catarina e oferece um dado político relevante: João Rodrigues (PSD) consolida-se como nome competitivo e volta discurso claramente orientado para o segundo turno.
Ao comentar os números, o pré-candidato adota um tom otimista, destacando percentuais que variam entre 24%, 30% e diferenças oscilando de 10% a 20% em relação ao líder. Mais do que celebrar posições momentâneas, João Rodrigues busca enquadrar o cenário como uma “eleição zerada”, argumento clássico quando pesquisas já indicam possibilidade concreta de segundo turno.
João faz o uso de paralelos históricos ao citar casos como Luiz Henrique da Silveira, que teria iniciado com 4% frente aos 65% de Espiridião Amin, e Raimundo Colombo, que começou com 7% contra 44% de Angela Amin. João Rodrigues tenta reforçar a ideia de que pesquisas iniciais não definem vencedores.
Esse recurso cumpre a função de neutralizar a vantagem do atual líder, reduzindo o impacto psicológico dos números, além de fortalecer sua própria narrativa de crescimento, agora partindo de um patamar muito mais alto (entre 20% e 30%).
Outro elemento relevante é a admissão explícita de que ainda não está em campanha estadual. João Rodrigues reconhece que sua pré-campanha ocorre, principalmente, nas redes sociais e a partir de sua atuação como prefeito de Chapecó, além da menção a Pinhalzinho.
Essa fala prepara o terreno para um argumento futuro: o crescimento virá quando houver dedicação integral ao Estado, com agendas, viagens e apresentação de propostas diretamente aos eleitores catarinenses.
No campo programático, o pré-candidato antecipa pilares do discurso que devem marcar sua campanha, como a quantidade de obras realizadas em Chapecó, o planejamento de longo prazo para Santa Catarina e uma gestão com “ritmo diferente”, conceito que dialoga com sua imagem de gestor municipal ativo.
Ao classificar os resultados como “extraordinários” e enfatizar que a pesquisa já o coloca no segundo turno, João Rodrigues fala mais para o sistema político do que para o eleitor comum. O recado é claro: ele está viável, competitivo e merece ser levado a sério por partidos, aliados e lideranças regionais.
A reação de João Rodrigues à pesquisa Neokemp não é apenas comemorativa — ela é estrategicamente calculada. O pré-candidato constrói uma narrativa de crescimento, ancora-se em exemplos históricos de viradas eleitorais e projeta uma imagem de gestor pronto para escalar sua experiência municipal ao plano estadual.
Mais do que os números em si, o discurso indica que a pré-campanha entrou em uma nova fase, na qual João Rodrigues passa a se apresentar, de forma cada vez mais clara, como um nome natural para o segundo turno e um postulante real ao comando de Santa Catarina.
No primeiro cenário testado, os números são os seguintes:
Aqui, João Rodrigues aparece isolado na segunda posição, com vantagem confortável sobre Décio Lima e os demais concorrentes. A diferença de pouco mais de 21 pontos percentuais em relação ao líder sustenta o argumento do próprio pré-candidato de que o cenário já aponta para um segundo turno, sobretudo diante do volume ainda significativo de indecisos.
No segundo cenário, a pesquisa testa outra composição e revela um crescimento direto de João Rodrigues:
Neste recorte, João Rodrigues sobe para 24%, reduzindo a distância percentual em relação ao governador e ampliando ainda mais a vantagem sobre o campo da esquerda. O dado reforça a leitura feita pelo próprio pré-candidato em seu áudio: ele parte de um patamar alto para quem ainda não iniciou uma campanha estadual presencial.
O levantamento de rejeição é um dos pontos mais sensíveis — e politicamente mais favoráveis — ao pré-candidato do PSD:
Com apenas 5,6% de rejeição, João Rodrigues apresenta, de longe, o menor índice entre todos os nomes testados. Esse dado valida o discurso adotado por ele: há espaço real para crescimento, especialmente quando sua imagem e propostas forem mais amplamente conhecidas no Estado.