Em Águas Frias, no Oeste catarinense, Elisete Corradi conhecida como Lizza, cresceu ouvindo uma frase curiosa. Sempre que ficava em último lugar nas corridas com as amigas, escutava que seria a “mulher do padre”. Católica e muito religiosa, achava aquilo impossível — e a ideia nunca passou de uma provocação infantil.
Aos 18 anos, já morando em Pinhalzinho, se casou e construiu família. Em 2003, se mudou para Sinop no Mato Grosso em busca de melhores condições de vida. Atuante na comunidade, tornou-se ministra da eucaristia. Foi nesse período que conheceu o então sacerdote Marciano José Cê.
A primeira impressão foi negativa. Ela conta que sentiu antipatia imediata e passou a evitar celebrações feitas por ele. Quando a segunda filha nasceu, em 2007, o religioso apareceu para uma visita à casa da família — o que aumentou ainda mais o incômodo. Pouco tempo depois, ele foi transferido para Sorriso, e os dois seguiram caminhos diferentes.
Reencontro, viagem de 2,3 mil km e recomeço
Em 2013, após 12 anos de matrimônio, ela se separou. Coincidentemente, no mesmo período, Marciano deixou a função na igreja. Após sair de um relacionamento, ela fez uma oração pedindo a Deus que colocasse em seu caminho um homem bom, que a amasse de verdade. No dia seguinte, recebeu uma mensagem inesperada: era o ex-padre dizendo que ela era “a mulher da vida dele”.
Ela riu e disse que ainda tinha “ranço” dele. Mesmo assim, ele viajou três dias de ônibus até Santa Catarina. No dia 7 de julho de 2016, ela o buscou na rodoviária de Chapecó. O reencontro mudou tudo. A antipatia deu lugar a uma conexão imediata.
Depois de meses de namoro à distância, ela tomou uma decisão ousada: dirigiu sozinha cerca de 2,3 mil quilômetros até Sorriso para buscá-lo de vez. Ele voltou com ela para Santa Catarina, disposto a recomeçar.
O início foi marcado por dificuldades financeiras, mas juntos organizaram a vida, pagaram dívidas e abriram uma empresa de utensílios de aço cirúrgico. Hoje, vivem com estabilidade e ambos são professores. Ele assumiu as duas filhas como pai e, há dez anos, oficializaram a união. A antiga brincadeira ganhou outro significado. “Eu sempre ficava em último. No fim, acabei ficando com o padre — e foi a melhor coisa que me aconteceu”, resume.



