
A presença de trabalhadores migrantes na indústria catarinense também traz demandas relacionadas à adaptação à vida no estado e à integração no ambiente profissional. Para auxiliar nesse processo, o SESI/SC lançou duas cartilhas com orientações para quem chega ao estado e para empresas interessadas em contratar esses profissionais.
Atualmente, a indústria catarinense emprega 53,7 mil migrantes, o equivalente a 5,5% da força de trabalho do setor. Os segmentos de alimentos e bebidas e da construção estão entre os que mais contratam esses trabalhadores. Chapecó e Joinville concentram os maiores contingentes de migrantes empregados na indústria.
As publicações integram o programa Porta Aberta, criado em 2025 para acolher, qualificar e promover a inserção de migrantes no mercado de trabalho. Os materiais foram elaborados em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o superintendente do SESI/SC, Daniel Tenconi, as cartilhas fazem parte das ações voltadas à aproximação entre trabalhadores, empresas e instituições.
“Estas cartilhas são mais um passo para acolher quem escolheu Santa Catarina para recomeçar. Nosso compromisso é aproximar pessoas, indústrias e instituições, criando oportunidades para todos”, afirmou.
Uma das publicações é o Passaporte do Migrante, guia de 148 páginas produzido em crioulo haitiano, espanhol e português. O material reúne informações práticas para pessoas que chegam a São Miguel do Oeste, município do Extremo Oeste catarinense onde o programa está em funcionamento.
O conteúdo inclui orientações sobre documentação, moradia, transporte, acesso à internet, saúde e matrícula dos filhos na escola. Também apresenta informações sobre opções de lazer, serviços disponíveis, costumes locais e aspectos da cultura brasileira.
A proposta é facilitar o acesso a informações essenciais para a organização da rotina e a adaptação dos migrantes à comunidade.
A segunda publicação, chamada Cartilha da Empresa Acolhedora, é direcionada às organizações que contratam ou pretendem contratar migrantes. Com 76 páginas, o material reúne recomendações para os processos de recrutamento, recepção e integração desses profissionais ao ambiente de trabalho.
A cartilha também aborda questões relacionadas à saúde, à segurança e ao bem-estar dos trabalhadores. As orientações buscam auxiliar as empresas na preparação das equipes e na construção de ambientes profissionais que considerem as necessidades de pessoas de diferentes origens.
Em São Miguel do Oeste, o Porta Aberta é desenvolvido em parceria com a prefeitura municipal e a OIM. A cidade foi escolhida para a implantação inicial devido ao fluxo crescente de migrantes, especialmente venezuelanos.
A iniciativa poderá ser levada a outras regiões de Santa Catarina, conforme o interesse e a formação de parcerias com instituições locais.
Com os dois materiais, o SESI/SC busca atuar em diferentes etapas da inserção dos migrantes no estado, desde o acesso a serviços básicos e a adaptação à comunidade até a contratação e a integração no mercado de trabalho.











