Microsoft e Google ampliam demissão voluntária em meio a gastos com IA
Microsoft oferece saída a cerca de 60 mil funcionários em quatro países; Google estende pacotes a cinco países, sem incluir o Brasil
Prédio da Microsoft em Redmond, nos EUA, usado como ilustração. Foto: Coolcaesar / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
A Microsoft e o Google ampliaram programas de demissão voluntária para funcionários de vários países, em meio aos investimentos bilionários das empresas em inteligência artificial (IA). As ofertas pagam indenização a quem aceitar deixar a empresa por conta própria, segundo informações das agências Reuters e AFP divulgadas por portais brasileiros.
Microsoft
A Microsoft anunciou em 26 de outubro um programa que pode alcançar cerca de 60 mil funcionários nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Índia, segundo o portal Gizmodo. De acordo com a empresa, os 60 mil são trabalhadores aptos a receber a oferta, e não necessariamente pessoas que vão deixar os cargos.
O número representa mais de um quarto do quadro mundial da companhia, que tinha 223 mil empregados no fim de junho, segundo a AFP. A oferta inclui áreas como Xbox, Windows, Copilot, experiências de IA, finanças e recursos humanos, e vale até o nível de vice-presidente. Segurança, marketing e alguns setores comerciais ficaram de fora.
O programa foi comunicado por Amy Coleman, diretora de recursos humanos da Microsoft. Segundo o Gizmodo, os funcionários devem ter até o início de dezembro para decidir, com desligamentos previstos para o fim do ano. As condições variam conforme cargo, tempo de serviço e país, de acordo com o Business Insider, citado pelo portal.
Não é a primeira redução de pessoal da empresa em 2026. Em abril, a Microsoft fez uma oferta semelhante a cerca de 8.750 funcionários nos Estados Unidos, e aproximadamente um terço aceitou. Em julho, cortou cerca de 4.800 postos, o equivalente a 2,1% do quadro global.
Investimentos em IA
Entre abril e junho, a Microsoft investiu cerca de US$ 41 bilhões, principalmente em centros de dados e chips para sistemas de IA, segundo o Gizmodo. A previsão para o trimestre seguinte era superar US$ 50 bilhões.
Em análise da Bloomberg Opinion publicada pela Bloomberg Línea, a avaliação é de que a empresa abre espaço no orçamento para os US$ 170 bilhões que gasta em projetos de capital neste ano. O texto aponta o risco de o programa estimular a saída de profissionais que a própria empresa gostaria de manter.
Segundo o Gizmodo, não há evidências de que os postos eliminados estejam sendo substituídos diretamente por IA. A Microsoft já afirmou que os cargos encerrados no primeiro programa voluntário não foram substituídos pela tecnologia.
O Google confirmou à agência Reuters que começou a oferecer, em junho, pacotes de demissão voluntária a parte dos funcionários no Canadá, na França, na Alemanha, no Japão e na Suíça. A informação foi publicada pela CNN Brasil em 4 de novembro. A Reuters não conseguiu apurar quantas pessoas aceitaram a oferta.
Em comunicado, um porta-voz da empresa explicou a origem do programa:
"Em 2025, algumas de nossas equipes implementaram um programa de desligamento voluntário com indenização"
Desde o ano passado, pacotes semelhantes eram oferecidos a funcionários de algumas divisões nos Estados Unidos e no Reino Unido. Segundo a Reuters, a diretora financeira do Google, Anat Ashkenazi, tem apontado IA e computação em nuvem como prioridades de contratação. Equipes do Google Cloud e da DeepMind, unidade de pesquisa em IA, ficaram fora de ofertas anteriores.
Na Suíça, onde o Google emprega cerca de 5 mil pessoas, quem aceitou recebeu um mês de salário por ano trabalhado, até o limite de 12 meses, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters. O Brasil não está entre os países incluídos no programa, segundo o Tecnoblog.
Outras empresas
A Meta, dona do Facebook e do Instagram, não oferece a opção de saída voluntária e fez demissões diretas, segundo a Fast Company Brasil. A empresa afirma que os cortes buscam eficiência e compensar os altos gastos com IA.
No mercado catarinense, a projeção é de abertura de 98 mil vagas no setor de tecnologia até 2027, como a RCO mostrou.
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