O sistema utilizado pelos brasileiros para escolher deputados e vereadores poderá passar por mudanças nos próximos anos. Lideranças de partidos do Centrão articulam a aprovação de uma proposta que prevê a adoção do voto distrital misto no país. A intenção é avançar com a votação ainda em novembro, em uma articulação que envolve os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A mudança seria implementada gradualmente. Pelo planejamento discutido, as eleições de 2030 seriam realizadas em um modelo de transição chamado distritão, enquanto o voto distrital misto passaria a funcionar integralmente a partir de 2034. A proposta deverá ser apresentada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Atualmente, deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional, no qual a distribuição das cadeiras considera a votação dos partidos e federações, além do desempenho individual dos candidatos. Esse modelo permite que candidatos com votação expressiva contribuam para eleger outros integrantes da mesma legenda.
Com o voto distrital misto, a escolha dos representantes seria dividida em duas partes. Metade das vagas seriam ocupada por candidatos eleitos diretamente em distritos eleitorais, enquanto a outra metade seriam distribuída conforme o desempenho dos partidos, por meio de listas partidárias. O eleitor teria dois votos: um para o candidato de seu distrito e outro para a legenda de preferência.
A proposta também prevê mudanças nas eleições para vereadores. Já as disputas para presidente da República, governadores, prefeitos e senadores continuariam seguindo os modelos atuais.
Antes da implantação definitiva, o distritão seria utilizado em 2030. Nesse formato, metade das cadeiras ficaria com os candidatos individualmente mais votados em cada estado, enquanto a outra metade seria preenchida conforme as listas partidárias.
Entre os argumentos dos defensores da mudança está a tentativa de reduzir a influência dos chamados puxadores de votos, candidatos que recebem votação elevada e ajudam a eleger outros integrantes da mesma legenda. A discussão também ocorre em meio à reorganização das forças políticas no Congresso após as eleições de 2026.
Apesar das articulações, a proposta enfrenta resistência de partidos como o Partido Liberal (PL) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Para ser aprovada, uma PEC precisa de pelo menos 308 votos favoráveis na Câmara dos Deputados e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.
A expectativa das lideranças envolvidas é construir um acordo político para avançar com a proposta ainda em novembro, antes do início da próxima legislatura, em fevereiro de 2027.
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