
O deputado estadual Ivan Naatz (PL) criticou a organização política da direita brasileira e a condução das campanhas eleitorais durante o segundo turno das eleições. Em entrevista ao programa Radar, da Rádio Centro Oeste, nesta terça-feira (27), o parlamentar afirmou que a falta de articulação estratégica e o foco de parte dos representantes em ações nas redes sociais dificultam a construção de um projeto político capaz de alcançar resultados concretos.
Na avaliação de Naatz, a direita não tem conseguido atuar de maneira coordenada no Congresso Nacional, mesmo quando possui representação parlamentar suficiente para influenciar decisões. Ele citou pautas debatidas no Legislativo, como a escala de trabalho 6x1, a regulamentação das apostas esportivas e propostas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), para argumentar que a falta de organização compromete os objetivos do grupo.
“E a direita não sabe fazer oposição, isso é claro, é evidente. A gente não sabe fazer oposição, a gente não consegue se organizar”, declarou.
O deputado também direcionou críticas à forma como parte dos políticos conduz a comunicação e as campanhas eleitorais. Segundo ele, conteúdos voltados à obtenção de curtidas, vídeos no TikTok e conflitos nas redes sociais passaram a ocupar espaço que deveria ser destinado à articulação política e à discussão de propostas.
Para Naatz, o problema vai além da comunicação eleitoral e envolve a maneira como a política é tratada por representantes e eleitores. O parlamentar defendeu que a atuação dos políticos seja orientada por pautas e objetivos coletivos, em vez de interesses individuais.
“Política não é brincadeira, política não é dancinha”, afirmou.
Entre os exemplos citados, o deputado mencionou um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a campanha eleitoral. Na avaliação de Naatz, a publicação provocou uma reação negativa no Nordeste e contribuiu para o resultado desfavorável à direita. Ele classificou a iniciativa como irresponsável e afirmou que determinadas estratégias priorizaram a visibilidade individual em detrimento do projeto político do grupo.
Outro ponto abordado na entrevista foi a ausência de uma liderança nacional capaz de reunir diferentes setores da direita em torno de objetivos comuns. Naatz questionou quem atualmente teria condições de exercer esse papel e conduzir o grupo de forma articulada.
“Qual o líder da direita no Brasil? É o Nikolas? É o Pavanato? É a Júlia Zanatta? Quem é o líder político da direita? Quem é que consegue aglutinar em volta de si?”, questionou.
O parlamentar reconheceu o desempenho eleitoral de nomes como a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) e outros representantes que conquistaram votações expressivas. Para ele, esses políticos podem construir trajetórias de liderança nacional, mas ainda precisam consolidar experiência e capacidade de articulação.
Naatz também defendeu uma atuação política mais madura, baseada na construção de alianças e na capacidade de conduzir decisões coletivas. Com mais de 20 anos de mandato, ele afirmou observar a necessidade de representantes que consigam transformar apoio eleitoral em resultados institucionais.
Ao tratar das possíveis lideranças para o futuro da direita, Naatz destacou o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), como um nome com potencial para ampliar sua atuação no cenário nacional.
O deputado avaliou que o governador demonstrou capacidade de liderança durante o processo eleitoral e ressaltou a postura adotada ao longo da campanha. Na avaliação de Naatz, Jorginho Mello conseguiu manter uma imagem institucional sem recorrer a ações que, na sua visão, poderiam comprometer a percepção pública sobre sua atuação como gestor.
“O Jorginho Mello pode ser uma grande liderança nacional, deve ser uma grande liderança nacional”, declarou.
O parlamentar defendeu que o grupo político se reorganize para estabelecer prioridades, construir consensos e ampliar sua capacidade de atuação no Congresso Nacional. Para ele, a eleição de representantes alinhados à direita não é suficiente quando não existe coordenação para transformar as propostas defendidas durante a campanha em medidas efetivas.
Ao concluir a análise, Naatz relacionou a necessidade de mudanças estratégicas ao resultado das eleições presidenciais anteriores. O deputado argumentou que, apesar da mobilização eleitoral e da eleição de nomes com votações expressivas, o grupo não conseguiu impedir a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
Na avaliação do parlamentar, o cenário exige uma revisão das estratégias adotadas pela direita, com menos foco em disputas individuais e maior atenção à organização política, à definição de pautas e à construção de uma liderança capaz de representar o grupo nacionalmente.



