
O deputado estadual Bruno Souza (PL-SC), eleito para a próxima legislatura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), comentou as prioridades políticas que pretende defender, as diferenças ideológicas entre Santa Catarina e o governo federal e os resultados das eleições presidenciais deste ano. Em entrevista à Rede DSC, o parlamentar também questionou a legitimidade do processo eleitoral e afirmou que pretende atuar em defesa de pautas liberais e da autonomia do estado.
Durante a conversa, Bruno Souza classificou Santa Catarina como uma referência nacional em desenvolvimento econômico e atribuiu parte dos resultados do estado ao empreendedorismo e à menor dependência de programas governamentais. Na avaliação do deputado, o modelo defendido pelo governo federal é contrário ao que, segundo ele, contribuiu para o desenvolvimento catarinense.
O parlamentar afirmou que uma das principais dificuldades será preservar as características econômicas e políticas do estado diante das decisões tomadas em Brasília. Ele também criticou a distribuição de recursos entre a União e Santa Catarina e defendeu mudanças na relação entre os entes federativos.
Segundo Bruno Souza, o estado contribui mais para a arrecadação federal do que recebe em transferências. Durante a entrevista, ele mencionou que, a cada R$100 enviados a Brasília, R$14 retornariam a Santa Catarina, citando dados que classificou como recentes. O deputado argumentou que essa diferença limita a capacidade de investimento estadual em áreas como saúde, infraestrutura, educação e rodovias.
Ao comentar a eleição presidencial, Bruno Souza questionou a legitimidade do resultado e fez acusações sobre as condições da disputa. O deputado citou os gastos do governo federal, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e declarações feitas durante a campanha como argumentos para sustentar sua avaliação.
“É uma eleição absurdamente ilegítima. Tem o gosto, tem o sabor, tem o cheiro de ilegítimo”, declarou.
O parlamentar também afirmou que mais de 100 milhões de brasileiros dependem direta ou indiretamente do poder público, considerando servidores, aposentados e beneficiários de programas sociais. Na avaliação dele, esse cenário pode dificultar o crescimento econômico caso o país não consiga gerar riqueza suficiente para sustentar as despesas governamentais.
Bruno Souza também criticou candidatos a deputado estadual e federal da Grande Florianópolis que, segundo ele, não participaram de forma expressiva das mobilizações durante o segundo turno.
O parlamentar direcionou as críticas especialmente a candidatos que fizeram campanha utilizando o nome do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Para Souza, faltou empenho de parte desses nomes na mobilização de eleitores.
Ele afirmou que pretende dedicar seu mandato à defesa de pautas que considera importantes para Santa Catarina e disse que sua atuação política está relacionada às próprias convicções.
“Eu não faço política porque eu preciso, eu faço porque eu acredito”, afirmou.

Além das declarações feitas na entrevista, Bruno Souza anunciou na segunda-feira (26) que pretende propor um plebiscito para consultar a população sobre a separação de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul do restante do Brasil. A iniciativa foi divulgada após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais e noticiada pelo Poder360.
O deputado também anunciou a criação do comitê Sul Livre e convidou parlamentares dos três estados a participarem da mobilização. Segundo a justificativa apresentada por ele, as diferenças de preferências políticas, prioridades e valores entre a Região Sul e outras partes do país reforçariam a necessidade de discutir a relação com a União.
A proposta, no entanto, enfrenta um impedimento constitucional. O artigo 1º da Constituição Federal estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. Dessa forma, uma consulta popular regional não seria suficiente para autorizar a separação dos três estados.
Bruno Souza afirmou que pretende assumir a próxima legislatura com o compromisso de defender o que considera os interesses de Santa Catarina, com ênfase no empreendedorismo, na redução da dependência do poder público e na autonomia do estado nas decisões políticas e econômicas.







