
A conexão aérea entre o interior e a capital catarinense está entre as próximas etapas da política estadual de transportes. O Governo de Santa Catarina trabalha na implantação de novas rotas regionais, com o objetivo de facilitar os deslocamentos e ampliar as possibilidades de conexão com outros destinos do Brasil e do exterior.
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Em entrevista à Rede DSC, o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Ivan Amaral, explicou como o planejamento foi desenvolvido e quais medidas estão sendo adotadas para viabilizar as operações.
Segundo o secretário, a iniciativa começou no início da atual gestão, com a criação da pasta e a elaboração de um planejamento para o setor. Ele ressaltou que a proposta não surgiu apenas em função do período eleitoral.
“Isso começou lá no início do governo”, afirmou.
Amaral também destacou que o governador defende a diversificação dos modais de transporte, além do rodoviário, e que a criação de uma secretaria específica ampliou o protagonismo da área.
Uma das primeiras etapas foi a atualização do Plano Aeroviário de Santa Catarina, que, conforme Amaral, ainda era baseado em um documento da década de 1980. Para elaborar o novo planejamento, o governo contratou o Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans), vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que avaliou as demandas e as condições dos aeroportos catarinenses.
O secretário informou que Santa Catarina passou de 21 para 24 aeroportos, sendo 19 públicos e cinco concessionados. O planejamento apontava a necessidade de investir R$254 milhões ao longo de 20 anos na infraestrutura aeroportuária. De acordo com Amaral, cerca de R$150 milhões foram investidos em três anos. Ele atribuiu o avanço à cobrança do governo e à aceleração dos projetos.
“O governador é um entusiasta e ele cobra. Deu celeridade”, declarou.
A melhoria da estrutura dos aeroportos é apontada pelo governo como uma das condições para retomar os voos regionais. Amaral afirmou que a companhia aérea Azul visitou os dez destinos selecionados para o programa, considerando Florianópolis como o centro de conexão das operações, conhecido no setor como hub.
Outro desafio é o custo operacional das aeronaves, especialmente o combustível. Segundo o secretário, esse item representa, em média, 40% dos custos de uma operação aérea. Ele também mencionou os efeitos das oscilações no mercado internacional e a importância dos incentivos fiscais estaduais para tornar os voos mais competitivos.
Amaral explicou que a legislação catarinense permite reduzir a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível de aviação de 17% para até 1,5%, desde que sejam cumpridos os critérios estabelecidos. Entre as condições estão a ampliação das operações dentro do estado e a realização de voos internacionais.
Na avaliação do secretário, a combinação entre investimentos, incentivos e melhorias na gestão aeroportuária contribuiu para ampliar o interesse das companhias aéreas em Santa Catarina.
“Antigamente, quando a gente começou essa secretaria, era mais fácil falar com o Papa que os CEOs da aviação. Hoje eles nos procuram”, afirmou.
Para definir o funcionamento das novas rotas, o governo criou um grupo de trabalho com representantes de diferentes áreas, incluindo setores jurídicos, Fazenda, Administração e Planejamento. A equipe analisou questões administrativas e legais, além dos custos necessários para manter as operações.
Como exemplo, Amaral citou o trajeto entre São Miguel do Oeste e Florianópolis. Segundo ele, os cálculos realizados pelo grupo apontaram um valor de aproximadamente R$2 mil por passagem. O secretário defendeu que a avaliação do serviço considere também o tempo economizado em relação ao deslocamento rodoviário.
“Hoje você vem de São Miguel a Florianópolis em uma hora e quarenta, uma hora e cinquenta”, explicou.
Ele também mencionou que a operação prevê uma aeronave reserva para atender eventuais problemas e uma tripulação baseada na capital catarinense.
A proposta é que os passageiros do Extremo-Oeste possam chegar a Florianópolis e utilizar o aeroporto como ponto de conexão para outros destinos nacionais e internacionais. Dessa forma, a aviação regional poderá ampliar as alternativas de deslocamento para quem precisa viajar a trabalho ou acessar serviços concentrados na capital.
Durante a entrevista, Amaral lembrou que Santa Catarina já teve uma rede de voos regionais nas décadas de 1970 e 1980. Naquele período, aeronaves menores, como o Brasília e o Bandeirante, fabricados pela Embraer, atendiam cidades como Joaçaba e Caçador. Segundo ele, o modelo perdeu espaço ao longo dos anos, principalmente devido aos custos operacionais.
A iniciativa atual busca recuperar parte dessa conectividade por meio de planejamento, investimentos nos aeroportos e incentivos à operação das companhias. O secretário destacou que a infraestrutura precisa estar preparada antes da implantação das rotas, para oferecer condições adequadas de funcionamento.
A expectativa é ampliar a integração entre as diferentes regiões catarinenses e facilitar o acesso dos municípios do interior a conexões aéreas mais amplas.











