
Entre as novidades apresentadas no 27º Itaipu Rural Show, a carinata chamou a atenção de produtores e técnicos que visitaram a feira. Ainda pouco difundida no Brasil, a cultura vem sendo estudada nos últimos anos e começa, gradualmente, a ocupar espaço nas áreas de cobertura de solo durante o inverno no Oeste de Santa Catarina.
Pertencente à mesma família da canola, a carinata se destaca por unir benefícios agronômicos e potencial econômico. A planta é utilizada como matéria-prima para a produção do SAF, o Combustível Sustentável de Aviação, cuja demanda internacional cresce diante do compromisso do setor aéreo de zerar 100% das emissões de gases de efeito estufa até 2050.
O agrônomo da Nufarm, Daniel Braz de Oliveira, explica que a carinata integra o grupo das brássicas, assim como a canola, a couve e o repolho. Segundo ele, o material cultivado atualmente é resultado de melhoramento genético, um híbrido desenvolvido com foco específico na cadeia do biocombustível.
“Nós comercializamos as sementes para o produtor e garantimos a compra da produção. Depois, esses grãos são exportados para a Europa, onde ocorre o esmagamento e o refino do óleo até chegar ao bioquerosene de aviação”, afirma.
No campo, a cultura tem se mostrado adaptável às condições do Sul do Brasil. Conforme o agrônomo, o plantio ocorre entre abril e junho, período ideal para a janela de inverno na região. Aos poucos, produtores do Oeste catarinense começam a aderir à novidade apresentada na feira.
De acordo com Daniel, apesar de recente no mercado nacional, a carinata faz parte de um projeto global e já é cultivada em diversos países. A meta no Brasil é ampliar significativamente a área plantada, e Santa Catarina vive a segunda safra da cultura, com expectativa de expansão.
Além do apelo comercial, a carinata é tratada como uma planta de cobertura com renda. Ela promove produção de massa, formação de palhada e bom desenvolvimento radicular, contribuindo para a proteção do solo no inverno e preparando a área para a cultura seguinte.
“Ainda são áreas menores, mas estamos buscando novos parceiros e a expectativa é ampliar gradativamente”, pontua.
Daniel afirma ainda que a cultura não compromete o plantio subsequente de soja ou milho e pode, inclusive, favorecer o desempenho da safra seguinte. O custo de implantação é considerado competitivo em comparação com outras opções de inverno, fator que tem estimulado o interesse de produtores.
Para integrar a cadeia produtiva, as áreas precisam estar com o Cadastro Ambiental Rural regularizado e atender às certificações exigidas para garantir produção sustentável e de baixo impacto, alinhando a expansão da cultura às exigências do mercado internacional.






