O Setembro Amarelo é marcado por ações de conscientização sobre a prevenção do suicídio e pela valorização da saúde mental. Mais do que abordar o tema durante um mês específico, a campanha busca incentivar as pessoas a reconhecerem as próprias emoções, falarem sobre suas dores e procurarem ajuda quando perceberem que algo não vai bem.
A origem do movimento está relacionada à história de Mike Emme, um adolescente norte-americano de 17 anos que morreu por suicídio em 1994. Mike era apaixonado por automóveis e havia restaurado e pintado de amarelo um Ford Mustang 1968, pelo qual ficou conhecido como “Mustang Mike”. Após sua morte, familiares e amigos distribuíram cartões com fitas amarelas e mensagens de incentivo para que pessoas em sofrimento procurassem ajuda. A iniciativa deu origem ao movimento Yellow Ribbon, ou Fita Amarela.
Anos depois, o dia 10 de setembro foi estabelecido como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. No Brasil, o Setembro Amarelo ganhou força a partir de iniciativas envolvendo entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV).
Para a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Pinhalzinho, Keity Santoro, falar sobre saúde mental é uma forma de romper com o tabu e facilitar o acesso ao cuidado. Segundo ela, ainda existe a ideia equivocada de que falar sobre suicídio poderia estimular uma pessoa a tirar a própria vida.
Na avaliação da profissional, ocorre justamente o contrário: quando o assunto é abordado de maneira responsável, pessoas que estão sofrendo podem reconhecer que precisam de ajuda e procurar os serviços de saúde.
“Busque ajuda. A sua vida é muito importante, a tua vida importa, você é importante. Eu sempre falo: lá fora tem alguém que ama você. Então você precisa cuidar da pessoa mais importante, que é você.”
A psicóloga também compara o cuidado com a saúde mental ao cuidado com a saúde física. Assim como uma pessoa procura um dentista quando percebe um problema nos dentes, ela destaca que também é necessário buscar atendimento quando surgem dores emocionais, sofrimento persistente ou dificuldades que começam a interferir na rotina.
Segundo a profissional, fazer terapia ou procurar outro tipo de acompanhamento não representa uma diminuição da pessoa, mas uma oportunidade de ampliar o autoconhecimento e fortalecer diferentes aspectos da vida.
“Só vai agregar na tua vida, não vai te diminuir enquanto pessoa”, afirma.
Quem percebe que precisa de ajuda pode procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) do município. Nas cidades que contam com CAPS, também é possível entrar em contato com o serviço e solicitar um acolhimento. A orientação é não esperar que o sofrimento se agrave para buscar atendimento.
A mensagem reforçada durante o Setembro Amarelo é que pedir ajuda não deve ser motivo de vergonha. O acompanhamento adequado pode contribuir para que a pessoa compreenda o que está vivendo, encontre estratégias para enfrentar o sofrimento e retome gradualmente sua qualidade de vida.
Em situações de crise emocional ou risco imediato, é importante procurar atendimento de emergência. O CVV também oferece apoio emocional pelo telefone 188, de forma gratuita.



