
O uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos à base de agonistas do receptor GLP-1, cresce rapidamente no Brasil e já acende um alerta das autoridades de saúde. Pesquisa recente mostra que 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que utiliza ou já utilizou esses medicamentos, evidenciando a forte disseminação do produto no cotidiano da população.
Os dados também revelam a dimensão do avanço. Cerca de um em cada três lares já teve ao menos um morador fazendo uso dessas substâncias. Além disso, 24% dos brasileiros dizem já ter utilizado as canetas em algum momento, sendo que 11% ainda fazem uso atualmente.
Apesar da popularização, o uso sem acompanhamento médico preocupa. O levantamento indica que cerca de 40% dos usuários adquiriram os medicamentos sem receita, muitas vezes por meio da internet ou importação irregular. O cenário levanta riscos à saúde, especialmente pelo uso indiscriminado e fora das indicações clínicas aprovadas.
Diante desse crescimento, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou nesta segunda-feira (06) novas medidas para reforçar o controle sanitário desses produtos. A ação inclui o combate a irregularidades na importação de insumos farmacêuticos e na manipulação de substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida.
Segundo a agência, apenas no segundo semestre de 2025 foram importados 130 quilos de insumos, quantidade suficiente para produzir cerca de 25 milhões de doses, número considerado incompatível com a demanda regular do mercado. Em 2026, fiscalizações resultaram na interdição de oito empresas por falhas técnicas e ausência de controle de qualidade.
A Anvisa também relata aumento de eventos adversos e do uso off label, quando o medicamento é utilizado para finalidades não previstas em bula, como o emagrecimento sem indicação clínica. Entre os riscos já identificados está a possibilidade de pancreatite, além de problemas relacionados à falta de esterilidade e à origem desconhecida dos insumos.
A agência reforça que medicamentos injetáveis exigem rigorosos padrões de qualidade e que o uso deve sempre ocorrer com prescrição e acompanhamento médico, evitando riscos graves à saúde.



