
Uma mulher de 37 anos foi presa em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após se passar por uma adolescente e viver por mais de um ano na casa de uma família que acreditava estar acolhendo uma menina em situação de vulnerabilidade. Segundo a Polícia Civil, ela responderá pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
De acordo com a investigação, a suspeita se apresentou inicialmente como uma jovem de 18 anos em busca de trabalho. Com o passar do tempo, porém, passou a afirmar que tinha apenas 11 anos e que sofria abusos dentro de casa. Sensibilizado com o relato, um casal decidiu acolhê-la em sua residência.
Durante o período em que permaneceu na casa da família, a mulher teve despesas custeadas pelos moradores, incluindo alimentação, moradia e medicamentos. Conforme a polícia, ela também alegava ser autista, simulava comportamentos infantis e utilizava objetos associados à infância para reforçar a identidade falsa. A família chegou a organizar uma comemoração de aniversário.
Suspeita foi descoberta após denúncia
A fraude começou a ser desvendada após informações repassadas por um parente da suspeita. Desconfiados, os responsáveis pela acolhida realizaram pesquisas na internet e encontraram registros que associavam a mulher a casos semelhantes em outros estados.
O caso foi comunicado à Polícia Civil, que iniciou a apuração e entrou em contato com autoridades de diferentes regiões do país. Segundo os investigadores, foram confirmadas ocorrências anteriores envolvendo a mesma mulher. A prisão ocorreu na terça-feira (2). Durante o interrogatório, a suspeita confessou os fatos, de acordo com a polícia.
Histórico de casos semelhantes
Ainda segundo a investigação, a mulher possui antecedentes relacionados ao mesmo tipo de golpe em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio de Janeiro. Em um dos episódios de maior repercussão, registrado em 2023 no Rio de Janeiro, ela também teria se apresentado como uma menina de 12 anos e alegado ser vítima de violência.
Na ocasião, chegou a ser acolhida por integrantes de um projeto social e por uma ex-vereadora, que ajudaram com moradia e outras despesas. O delegado Rodrigo Gusso informou que as investigações continuam para apurar todos os detalhes do caso e eventuais prejuízos causados às vítimas.