
A suinocultura brasileira começa a ampliar o uso de ciência de dados, inteligência artificial e aprendizado de máquina para melhorar a produção. Uma parceria entre a Aurora Coop e a Iowa State University, dos Estados Unidos, desenvolve modelos que integram informações de diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o nascimento dos leitões até o frigorífico.
O projeto começou há cerca de três anos e entra agora em uma nova etapa. A Aurora Coop é a única empresa brasileira parceira da universidade na iniciativa, que também conta com oito empresas dos Estados Unidos e uma do México.
O trabalho reúne especialistas de áreas como medicina veterinária, estatística, engenharia da computação e visão computacional. Os dados fornecidos pela cooperativa, protegidos por acordos de confidencialidade, são utilizados para desenvolver modelos estatísticos e ferramentas de inteligência artificial capazes de analisar fatores como sanidade, vacinação, medicamentos, nutrição, genética e mortalidade.
Segundo o professor da Iowa State University e coordenador do projeto, Edison Magalhães, um dos principais desafios é transformar a grande quantidade de informações já coletadas pela cadeia produtiva em análises mais precisas.
Entre os trabalhos desenvolvidos está a integração de dados de matrizes, creches, terminação e frigoríficos. Com isso, os pesquisadores conseguem acompanhar o desempenho dos animais ao longo das diferentes etapas da produção.
Um dos primeiros modelos desenvolvidos analisa a origem dos leitões destinados às creches e identifica combinações que apresentam melhores resultados produtivos e sanitários. A ferramenta pode auxiliar na organização dos fluxos entre as granjas e no controle sanitário.
A rastreabilidade também permite relacionar problemas identificados no frigorífico com etapas anteriores da produção. Dessa forma, as informações podem ajudar a identificar possíveis causas e melhorar os processos.
Uma das principais metas da parceria é fazer com que os dados não sirvam apenas para analisar situações que já aconteceram, mas também para prever possíveis problemas.
O gerente corporativo de suinocultura da Aurora Coop, Luiz Carlos Giongo, explica que a inteligência artificial pode contribuir para que a cooperativa tome decisões preventivas. Alguns dos modelos já conseguem, em determinadas situações, projetar no momento do desmame indicadores de mortalidade que podem ocorrer semanas depois.
A estratégia também prioriza o uso de informações que já são coletadas nas propriedades, como registros das granjas, diagnósticos, formulações de rações e resultados produtivos, sem depender necessariamente da instalação de equipamentos de alto custo.
O projeto também contribui para a formação de profissionais que unem conhecimentos de suinocultura, estatística, programação e ciência de dados.
Na Iowa State University, seis estudantes e 14 professores de diferentes áreas participam do trabalho. Um médico-veterinário que passou um ano nos Estados Unidos atuando no projeto foi posteriormente contratado pela Aurora Coop e passou a desenvolver parte das atividades no Brasil.
Os primeiros trabalhos começaram no Rio Grande do Sul e também chegaram a Santa Catarina. A expectativa é que, em aproximadamente dois anos, as ferramentas sejam incorporadas a todo o sistema produtivo da cooperativa.
Para o vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Antonio Zordan, a parceria aproxima a produção brasileira de tecnologias utilizadas no desenvolvimento da suinocultura mundial.
A iniciativa busca contribuir para a redução de perdas, mortalidade, condenações, lesões e doenças, além de melhorar os padrões sanitários do rebanho.
A Aurora Coop possui oito plantas industriais de suínos, que abateram 8,2 milhões de animais em 2025, um crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior. O volume representou 17,05% do abate nacional. Para 2026, a previsão é chegar a 8,6 milhões de cabeças.
A base produtiva da cooperativa é formada por 3.453 produtores integrados.











