
A Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) segue trabalhando no monitoramento e no acompanhamento dos casos da doença de Newcastle no Oeste catarinense. Uma força-tarefa foi mobilizada para investigar possíveis novos focos, realizar coletas e reforçar as medidas de biossegurança. Até o momento, foram confirmados focos em Nova Itaberaba, Nova Erechim e Coronel Freitas, e aproximadamente 50 mil aves já foram abatidas sanitariamente.
Em Nova Itaberaba, município onde foi identificado o primeiro foco na região, barreiras sanitárias foram instaladas para desinfetar veículos que passaram nas regiões onde os casos foram indentificados. O trabalho integra as ações de controle da doença, com apoio da administração municipal e de diferentes órgãos de fiscalização.
(Foto por Jonas Bianchi/Ascom)O prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Pagliarini, explica que o município está oferecendo suporte principalmente na infraestrutura necessária para manter o centro de operações, instalado no Centro de Eventos do município, onde são coordenadas as atividades da força-tarefa.
“Tudo aquilo que foi solicitado pelo Ministério da Agricultura e pela Cidasc, a prefeitura auxiliou. O nosso auxílio é muito na questão de infraestrutura do local, onde está montado o centro de operações, de onde saem as decisões para todas as atividades que a Cidasc vem desenvolvendo na nossa região”, afirmou.
Segundo o prefeito, a administração municipal providenciou reforço na rede elétrica, ampliação da estrutura de internet e fornecimento de água para as desinfecções realizadas nas barreiras sanitárias. O apoio deve continuar enquanto houver necessidade de manter as operações.
A dimensão da força-tarefa também chama a atenção pela quantidade de profissionais e veículos mobilizados. De acordo com Pagliarini, o centro de operações reune aproximadamente mais de 100 pessoas em determinados períodos do dia, além de aproximadamente 40 a 50 viaturas da Cidasc, da Polícia Civil e de outros órgãos envolvidos.
O trabalho é dividido entre equipes responsáveis pelas atividades de campo, profissionais que organizam as estratégias operacionais e representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que participam da coordenação das ações.
Centro de operações em Nova Itaberaba (Foto por Felipe Eduardo Zamboni)O prefeito explica que o Ministério da Agricultura é responsável por atestar e autorizar a liberação das propriedades, enquanto a Cidasc executa os procedimentos sanitários correspondentes.
Inicialmente, as equipes priorizaram as propriedades comerciais de aves, inclusive em municípios vizinhos. A ampliação das investigações levou à confirmação de novos focos em Coronel Freitas e Nova Erechim, aumentando a área de vigilância e a necessidade de visitas técnicas.
Com a identificação do caso em Nova Erechim, o monitoramento passou a alcançar também áreas da região de Saudades, São Carlos e Pinhalzinho, entre outras localidades abrangidas pela ampliação das ações.
Veículos passam por higienização (Foto por Felipe Eduardo Zamboni)Além das granjas comerciais, técnicos da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) estão visitando propriedades com criações destinadas à subsistência. O trabalho inclui a avaliação de aves criadas em pequenos plantéis, como galinhas caipiras, codornas e outros animais suscetíveis à doença.
Conforme os dados apresentados pelo prefeito, até o dia anterior à entrevista haviam sido coletadas 77 amostras. Desse total, 64 apresentaram resultado negativo, três tiveram resultado positivo e dez aguardavam análise. Os números podem sofrer alterações conforme a conclusão dos exames.
Pagliarini ressalta que a ausência do vírus permite a liberação sanitária da propriedade para o abate, conforme os procedimentos estabelecidos pelas autoridades. No entanto, isso não significa autorização imediata para alojar novas aves. Propriedades localizadas dentro da área de restrição continuam sujeitas às medidas sanitárias determinadas pelos órgãos responsáveis.
A diferença entre a liberação para abate e a autorização para novos alojamentos é uma das principais preocupações dos produtores, pois a interrupção da produção compromete diretamente a renda das famílias que dependem da atividade.
Barreiras sanitárias são realizadas em vários pontos (Foto por Felipe Eduardo Zamboni)Além do controle sanitário, as autoridades municipais discutem medidas para reduzir os impactos econômicos provocados pela suspensão dos alojamentos. Segundo Pagliarini, a mobilização envolve prefeitos de municípios vizinhos, deputados e possíveis articulações com o Governo do Estado.
Uma das preocupações é a situação dos avicultores que possuem financiamentos elevados para a construção e manutenção dos aviários. Sem receber novos lotes de aves, os produtores podem ficar sem receita para pagar parcelas bancárias que vencem nos próximos meses.
“Se o avicultor não produzir, ele não vai ter dinheiro para pagar o banco agora, quando vencer a parcela”, alertou o prefeito.
A proposta discutida é buscar alternativas junto às instituições financeiras para permitir o adiamento das parcelas dos financiamentos, sem penalizar os produtores durante o período de restrição sanitária. A preocupação não se limita às propriedades onde houve confirmação do vírus, mas também alcança os avicultores que permanecem impedidos de alojar novas aves em razão das medidas preventivas.
O prefeito destaca que os efeitos podem atingir toda a cadeia produtiva, incluindo empresas integradoras, trabalhadores e o comércio dos municípios envolvidos. A redução da renda dos produtores tende a diminuir a circulação de dinheiro na economia local, enquanto os reflexos sobre o movimento econômico municipal poderão aparecer posteriormente.
Pagliarini também solicitou atenção da área da saúde às famílias diretamente atingidas pelos abates sanitários. Segundo ele, a perda repentina de uma produção construída ao longo do tempo pode provocar sofrimento emocional, especialmente entre agricultores que dependem da atividade para sustentar a família.
Enquanto as equipes seguem monitorando a região, a propriedade onde foi identificado o primeiro foco da doença, em Nova Itaberaba, passa por um processo de readequação.De acordo com Pagliarini, o abate sanitário foi concluído e os materiais que poderiam estar contaminados foram retirados da estrutura. A propriedade foi liberada para a reconstrução das instalações, incluindo a substituição de cortinados e a recuperação de partes da estrutura física do aviário.
As melhorias estão sendo realizadas pela empresa parceira do produtor, com o objetivo de preparar o local para uma possível retomada da atividade, respeitando as exigências sanitárias.
Antes da volta à produção normal, está previsto um teste com um número reduzido de aves, que serão alojadas e acompanhadas para verificar se o vírus foi efetivamente eliminado da propriedade. Segundo as informações recebidas pelo prefeito, o procedimento poderá utilizar entre 100 e 200 aves, possivelmente peruas fêmeas, por apresentarem um ciclo de criação mais curto.
Durante esse período, serão realizados testes para acompanhar a situação sanitária do aviário. A quantidade de animais e os procedimentos definitivos ainda dependem das orientações técnicas dos órgãos responsáveis.
A intenção é confirmar que a propriedade oferece condições seguras para retomar a produção. A medida faz parte de um processo que exige acompanhamento e avaliação sanitária antes de qualquer liberação definitiva.
Enquanto isso, a Cidasc e os demais órgãos envolvidos mantêm as ações de vigilância na região, com o objetivo de identificar possíveis novos casos, evitar a disseminação da doença e estabelecer condições para a retomada gradual da atividade avícola.
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