
Santa Catarina deu um novo passo no aproveitamento energético dos resíduos da produção de suínos. A assinatura do primeiro contrato estadual de fornecimento de biometano, realizada nesta quarta-feira (15), na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), marca a criação de um mercado que conecta agronegócio, indústria, distribuição de gás e descarbonização.
O projeto transforma dejetos da suinocultura, anteriormente tratados principalmente como um passivo ambiental, em combustível renovável para o setor industrial. A iniciativa reúne quatro instituições responsáveis pela produção, distribuição, consumo e regulamentação do biometano.
A H2A produzirá o combustível em Campos Novos a partir dos resíduos da produção animal. Depois de processado, o biometano será distribuído pela rede de gás canalizado da SCGÁS. A primeira empresa a utilizar o energético será a Vossko do Brasil, indústria localizada em Lages. A operação também conta com a regulamentação da Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc).
De acordo com informações apresentadas durante a assinatura, Santa Catarina possui capacidade para ampliar significativamente a produção de biogás e biometano. Atualmente, a produção estimada de biogás chega a 2 milhões de metros cúbicos por dia e poderá ser duplicada.
A Aresc estima que o estado tenha potencial para produzir mais de 4 milhões de metros cúbicos de biometano diariamente. Segundo a agência, esse volume seria suficiente para atender toda a demanda da indústria catarinense e ainda gerar excedentes.
A criação do novo mercado foi possível após a aprovação da Resolução nº 250, que regulamentou a injeção de biometano na rede da SCGÁS. O processo regulatório começou em 2021 e buscou garantir segurança jurídica aos produtores, investidores, distribuidores e consumidores do combustível renovável.
Além da regulamentação já estabelecida, propostas de incentivos fiscais, linhas de financiamento e políticas públicas estão sendo analisadas para estimular novos projetos no estado.
A SCGÁS prevê investir R$600 milhões nos próximos cinco anos na expansão da infraestrutura. O objetivo é conectar novos produtores de biometano à rede estadual de distribuição e ampliar a utilização do combustível pelas indústrias.
O projeto também recebeu apoio do Hub de Descarbonização da Fiesc, criado em 2023 para auxiliar a indústria catarinense na transição para uma economia de baixo carbono. O Instituto Senai de Tecnologia Ambiental, localizado em Blumenau, participa da iniciativa oferecendo análises e controle de qualidade do biometano.
Primeira consumidora do combustível, a Vossko do Brasil atua há 24 anos em Lages e direciona aproximadamente 95% de sua produção ao mercado externo. Desse total, 75% tem como destino a União Europeia, que adota critérios ambientais cada vez mais rigorosos para os produtos importados.
A expectativa é de que a abertura da rede estimule a participação de produtores rurais, cooperativas, empresas e instituições de pesquisa. Além de reduzir os impactos ambientais da suinocultura, o biometano poderá diversificar a matriz energética, gerar renda no campo e contribuir para a redução das emissões industriais em Santa Catarina.






