
O fenômeno El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico e pode ser classificado como muito forte nas próximas avaliações da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Atualmente, a região apresenta 1,8°C de anomalia térmica, índice que caracteriza o fenômeno como forte e próximo da faixa considerada muito forte.
Apesar da intensidade, a Defesa Civil de Santa Catarina alerta que um El Niño mais intenso não significa, necessariamente, maior ocorrência de eventos extremos. Mesmo assim, o órgão mantém o monitoramento contínuo da evolução do fenômeno e dos possíveis impactos sobre o estado.
O acompanhamento é realizado em quatro áreas do Pacífico Equatorial: Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4. A principal referência para a classificação do El Niño é a região Niño 3.4. O fenômeno é considerado estabelecido quando a temperatura da superfície do mar permanece pelo menos 0,5°C acima da média climatológica durante vários meses consecutivos.
Classificação do fenômeno
A intensidade do El Niño é determinada pela anomalia da temperatura do oceano. O fenômeno é considerado fraco quando a temperatura fica entre 0,5°C e 0,9°C acima da média; moderado, entre 1,0°C e 1,4°C; e forte, entre 1,5°C e 1,9°C. A partir de 2,0°C, a classificação passa a ser de muito forte.
Segundo Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, a intensidade do fenômeno não determina, por si só, a ocorrência de desastres.
“As enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 ocorreram sob influência de um El Niño moderado, e foram mais intensas do que as registradas em 2015, quando o fenômeno atingiu uma das maiores intensidades já registradas”, explica.
Rudorff também destaca que eventos severos podem ocorrer durante o fenômeno oposto, a La Niña. Entre os exemplos estão os desastres registrados em 2008, as enchentes no Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020.
Primavera de 2026 exige atenção
A comparação entre diferentes episódios de El Niño também se tornou mais complexa devido ao aumento geral das temperaturas dos oceanos. Por isso, a NOAA passou a utilizar um índice relativo, chamado Relative Oceanic Niño Index (Roni), que considera a temperatura média dos oceanos tropicais antes de classificar a intensidade dos fenômenos.
Historicamente, o El Niño tende a favorecer o aumento das chuvas em Santa Catarina, principalmente durante as estações de transição. Por esse motivo, a primavera de 2026 e o outono de 2027 são apontados pela Defesa Civil como períodos que exigem atenção especial.
A orientação é para que a população acompanhe os alertas oficiais e as atualizações dos órgãos de monitoramento, principalmente durante períodos de previsão de chuva intensa, temporais e outros fenômenos meteorológicos.
