
O Sul do Brasil está entre as principais áreas de atenção do Governo Federal diante dos impactos previstos do El Niño em 2026 e 2027. Nesta segunda-feira (31), o governo realizou o encontro virtual “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas El Niño 2026/2027”, reunindo autoridades para definir estratégias de preparação, resposta e mitigação dos efeitos do fenômeno climático.
Para enfrentar o cenário, foi anunciado um pacote de R$ 1,335 bilhão em recursos federais para ações emergenciais, além de investimentos estruturantes previstos pelo Novo PAC.
No Sul, o período considerado mais crítico vai de agosto a novembro. O monitoramento federal aponta possibilidade de chuvas e temperaturas acima da média, cenário que aumenta o risco de enchentes urbanas e deslizamentos de terra.
A preocupação também se estende ao setor agrícola. O excesso de chuva pode provocar encharcamento do solo, reduzir a produtividade das lavouras, aumentar a ocorrência de doenças, dificultar a colheita e comprometer a qualidade dos grãos.
Outro problema previsto é a dificuldade de circulação de máquinas agrícolas em áreas rurais, especialmente durante períodos prolongados de chuva.
Entre os três estados da Região Sul, o Rio Grande do Sul receberá a maior parcela dos investimentos previstos pelo Novo PAC para prevenção de desastres.
Dos R$ 8,8 bilhões destinados à Região Sul, serão:
Os recursos fazem parte de uma estratégia de longo prazo para ampliar a capacidade de prevenção e resposta diante de eventos climáticos extremos.

Do total de R$ 8,8 bilhões, R$ 2 bilhões serão destinados à drenagem urbana, R$ 320 milhões à contenção de encostas e R$ 6,5 bilhões aos recursos do FIRECE.
A participação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no encontro reforçou a articulação entre o Governo Federal e os estados para enfrentar os riscos associados ao fenômeno.
Entre as medidas emergenciais anunciadas pelo Governo Federal, o maior volume de recursos será destinado ao abastecimento alimentar.
São R$ 850 milhões para a compra de 310 mil toneladas de arroz, justamente em um momento de preocupação com possíveis perdas na produção da Região Sul.
A medida busca garantir o abastecimento e reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra provocada pelas condições climáticas.Também estão previstos recursos para a compra de 180 mil toneladas de milho, com prioridade para o atendimento ao semiárido nordestino.
O plano prevê ainda R$ 45 milhões para ações de Saúde e Clima, incluindo a criação de Centros de Informação em Saúde e Clima em Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).
A Força Nacional do SUS também será ampliada, com uma base regional instalada em Porto Alegre.
Outro ponto considerado estratégico para o Sul é o monitoramento hídrico, que contará com R$ 25 milhões para acompanhamento dos níveis dos rios.
Embora o Sul esteja entre as áreas de maior preocupação no atual período, o Governo Federal também estabeleceu ações para outras partes do país.
No Norte, o principal risco é a deficiência hídrica entre agosto e dezembro. No Nordeste, a atenção está voltada aos impactos nas áreas agrícolas, especialmente no MATOPIBA, entre setembro e dezembro.
No Centro-Oeste, o foco está no combate a incêndios e aos impactos nas lavouras entre julho e outubro. Já no Sudeste, a preocupação envolve incêndios e ondas de calor entre setembro e dezembro.
Com o plano apresentado nesta segunda-feira (31), o Governo Federal pretende combinar ações emergenciais, monitoramento e investimentos em infraestrutura, com atenção especial ao Sul, região que poderá enfrentar um período de maior volume de chuvas e temperaturas elevadas nos próximos meses.











