
Mesmo após a redução de 5,2% no preço da gasolina anunciada pela Petrobras em janeiro, o desconto ainda não foi percebido nas bombas de Santa Catarina. A queda passou a valer em 27 de janeiro, na venda das refinarias às distribuidoras, mas consumidores relatam que os valores seguem elevados em diversas cidades do Estado.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que Joinville registrou aumento de R$ 0,16 no preço médio da gasolina comum entre o fim de dezembro e fevereiro. Em Itajaí, a alta foi de R$ 0,11 na gasolina comum e de R$ 0,13 na aditivada. Apenas Mafra e São José apresentaram leve redução no período analisado.
Especialistas apontam que o principal motivo para o não repasse é o aumento do ICMS, que passou de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro no início de 2026. O imposto estadual tem valor fixo e é reajustado anualmente, o que pode anular parte da redução promovida pela Petrobras.
Além disso, fatores como o preço internacional do petróleo, a cotação do dólar, custos de distribuição e a política de preços da estatal também influenciam no valor final ao consumidor. A composição da gasolina, que inclui cerca de 30% de etanol anidro, é outro elemento que impacta no preço.
O Procon de Santa Catarina informou que monitora a variação nos postos e deve firmar acordo com a Secretaria da Fazenda para ampliar o acesso aos dados. Em 2025, oito estabelecimentos foram autuados por prática de preços considerados abusivos.
A expectativa de especialistas é que, caso haja estabilidade no mercado internacional e manutenção da produção elevada nas refinarias que abastecem o Sul do país, possa haver redução nos próximos meses. Até lá, o consumidor segue sem sentir no bolso o desconto anunciado no início do ano.