
O Brasil investe menos por estudante do que a média dos países analisados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dados fazem parte do relatório Panorama da Educação 2026, divulgado nesta terça-feira (29), que reúne indicadores sobre financiamento, acesso, escolaridade e condições de trabalho na educação. A edição deste ano tem foco especial na escassez de professores.
Segundo os dados apresentados para o Brasil, o gasto público por estudante, considerando da educação básica ao ensino superior, fica em torno de US$ 3,8 mil, valor equivalente a aproximadamente R$ 19,6 mil na conversão utilizada no levantamento. A média dos países da OCDE é de cerca de US$ 13,9 mil, o que evidencia uma diferença significativa no investimento por aluno.
Ao mesmo tempo, o Brasil destina uma parcela relativamente elevada do Produto Interno Bruto (PIB) à educação. O financiamento público da educação básica ao ensino superior corresponde a cerca de 4,3% do PIB, acima da média de 3,6% da OCDE. O levantamento também aponta que, diferentemente do que ocorre na maioria dos países analisados, o gasto público brasileiro por estudante no ensino superior, incluindo pesquisa e desenvolvimento, é próximo ao registrado nos níveis anteriores de ensino.
A situação dos professores aparece como um dos principais pontos de atenção do relatório. No Brasil, apenas 22,3% dos docentes afirmam estar satisfeitos com o salário recebido pelo trabalho. A média entre os países participantes da pesquisa é de 38,7%. Em relação às condições gerais de trabalho, a satisfação brasileira chega a 44,3%, também abaixo da média internacional de 68,4%.
O relatório também identifica dificuldades para manter profissionais qualificados na rede pública. 10,3% dos professores plenamente qualificados do ensino fundamental e médio deixaram a profissão no período de referência utilizado para o Brasil, por aposentadoria ou demissão. A média da OCDE foi de 6,4%. A própria OCDE ressalta que a comparação utiliza períodos diferentes entre os países e, no caso brasileiro, considera dados de 2022 para esse indicador.
A saída de professores da rede pública não significa necessariamente que todos tenham abandonado a atividade docente. Profissionais podem, por exemplo, ter migrado para instituições privadas. Ainda assim, o indicador evidencia um desafio para a manutenção do quadro de professores nas escolas públicas.
Outro dado mostra que 9% dos professores brasileiros do ensino fundamental e médio em instituições públicas não eram plenamente qualificados, percentual próximo aos 9,1% registrados na média da OCDE.
O levantamento também analisou o nível de escolaridade da população entre 25 e 64 anos. No Brasil, 22% possuem ensino superior, enquanto a média dos países da OCDE chega a 43%. Já a parcela com ensino médio completo ou formação técnica é de aproximadamente 39%, próxima à média internacional de 40%.
Entre os jovens adultos, houve avanço na conclusão da educação básica. A parcela de brasileiros entre 25 e 34 anos sem ensino médio completo caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024.
Também houve redução na proporção de jovens que não estudam nem trabalham. O indicador passou de 27% para 22% no período informado pelo levantamento.
Em relação à continuidade dos estudos após o ensino fundamental, 87% dos estudantes brasileiros estão matriculados no ensino médio ou em outro programa educacional um ano após a conclusão dessa etapa. Outros 4% ainda repetem o último ano do ensino fundamental e 8% não estão matriculados em uma instituição de ensino formal.
Os dados integram o Education at a Glance 2026, publicação anual da OCDE que reúne indicadores comparáveis sobre os sistemas educacionais dos países participantes.



