
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com 99,87% das seções eleitorais apuradas, Lula obteve 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% do adversário. A Justiça Eleitoral confirmou matematicamente o resultado.
Apesar da vitória nas urnas, Lula terá pela frente o desafio de governar com um Congresso Nacional fortalecido pela direita e pelo bolsonarismo. A composição do Legislativo, definida no primeiro turno, em 4 de outubro, indica a necessidade de ampliar a articulação política para aprovar projetos considerados prioritários pelo governo.
Direita amplia força no Congresso
O Partido Liberal (PL) elegeu 121 deputados federais e 19 senadores, consolidando uma presença expressiva no Congresso Nacional. O resultado fortaleceu o campo político ligado ao bolsonarismo e ampliou a influência de parlamentares alinhados à direita conservadora.
Em Santa Catarina, nomes desse grupo também conquistaram votações expressivas. Entre eles estão Carol de Toni (PL), eleita senadora, Júlia Zanatta (PL), deputada federal, e Ana Campagnolo (PL), deputada estadual.
A força da oposição deverá exigir negociações constantes do Palácio do Planalto para garantir apoio às propostas do Executivo, especialmente em temas que dependem de maiorias qualificadas.
Aprovação de projetos exigirá articulação
Entre os desafios do novo mandato está a aprovação de propostas que dependem do apoio do Legislativo. Mudanças na Constituição, por exemplo, exigem pelo menos 308 votos favoráveis na Câmara dos Deputados e 49 no Senado Federal, em dois turnos de votação em cada Casa.
Uma das propostas mencionadas durante a reta final da campanha foi a criação de um programa de gratuidade no transporte público. A iniciativa dependerá de apoio parlamentar para avançar, caso seja apresentada nos termos previstos pelo governo.
A presença expressiva da oposição também pode dificultar a tramitação de projetos prioritários e ampliar os conflitos entre o Executivo e o Congresso.
Pautas conservadoras devem ganhar espaço
Com o fortalecimento da direita no Legislativo, propostas defendidas por parlamentares bolsonaristas poderão ganhar espaço na agenda política nacional.
Entre os temas estão a redução da maioridade penal, a classificação de organizações criminosas como terroristas, mudanças nas regras de composição do Supremo Tribunal Federal (STF) e a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.
Diante desse cenário, o novo mandato de Lula deverá ser marcado pela necessidade de conciliar as prioridades do governo com a composição política do Congresso, em um ambiente de forte polarização.
A capacidade de negociação com deputados e senadores será determinante para definir o ritmo de aprovação das medidas e a relação entre o governo federal e o Legislativo nos próximos anos.