
O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Santa Catarina e deputado estadual, Fabiano da Luz, fez uma análise do resultado das eleições para a Presidência da República. Na avaliação dele, a votação do segundo turno foi marcada pela aproximação entre eleitores de diferentes correntes políticas, pela mobilização nas ruas e por mudanças na estratégia de campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Fabiano, um dos fatores que contribuíram para o resultado foi o receio de parte do eleitorado em relação a um novo governo ligado à família Bolsonaro. Para o parlamentar, esse sentimento teria levado inclusive eleitores contrários ao PT e a Lula a votarem no petista no segundo turno.
“Esta foi a primeira eleição que uniu esquerda, direita e centro”, afirmou.
Fabiano argumentou que o cenário político e a composição do Congresso Nacional influenciaram a decisão de eleitores que, na avaliação dele, consideravam arriscada a possibilidade de a família Bolsonaro voltar ao poder com uma ampla base de apoio parlamentar.
Na análise do deputado, os números da votação também ajudam a compreender o resultado nacional e contrariam a interpretação de que a vitória de Lula teria sido determinada principalmente pelo Nordeste.
Fabiano destacou que, segundo os dados apresentados por ele, o maior crescimento de votos de Lula entre os estados ocorreu em Goiás, seguido por São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Amapá. Na sequência, aparecem Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Sul, Paraná e Paraíba.
O parlamentar também ressaltou o desempenho por região. De acordo com os números citados por ele, o Sudeste registrou o maior crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno, com mais de três milhões de votos adicionais. O Nordeste aparece em segundo lugar, com mais de dois milhões, enquanto o Sul teve um acréscimo de aproximadamente 1,3 milhão de votos.
Em Santa Catarina, Fabiano afirmou que a campanha atingiu a meta estabelecida para ampliar a votação do candidato. Ele também mencionou o crescimento registrado no Rio Grande do Sul e no Paraná como parte do avanço eleitoral na região Sul.
Fabiano atribuiu parte do resultado às mudanças realizadas pela campanha de Lula entre os dois turnos. Segundo ele, houve alterações nas coordenações de campanha e de marketing, com o objetivo de melhorar o diálogo com a população e adaptar a comunicação às diferentes realidades do eleitorado.
O deputado também destacou a participação de pessoas sem atuação política tradicional e a mobilização organizada por jovens, especialmente por meio de atividades nas ruas e conversas diretas com os eleitores.
Outro grupo mencionado foi o dos idosos. Na avaliação de Fabiano, a redução da quantidade de escolhas na urna, de seis votos no primeiro turno para apenas um no segundo, facilitou a participação de pessoas que enfrentaram dificuldades no processo de votação anterior.
Ele também citou a experiência de eleitores que viveram períodos como a ditadura militar e o governo Fernando Collor de Mello como um elemento presente nas conversas realizadas durante a campanha.
Ao avaliar os próximos anos, Fabiano apontou a pacificação do país como um dos principais desafios do novo governo. Para ele, será necessário buscar a aproximação entre diferentes grupos políticos e reduzir a divisão que marcou o período eleitoral.
O deputado também considera que o cenário político brasileiro deverá passar por uma reorganização até as eleições de 2030, com mudanças nas estratégias da esquerda, da direita e do centro. Na avaliação dele, esse processo abrirá espaço para novas lideranças e configurações partidárias.
“Eu acredito que não viveremos tempos de tanta discórdia e divisão como foi hoje, mas, sim, um tempo mais de unificação”, declarou Fabiano, ao defender que os diferentes setores políticos busquem convergências em torno dos interesses do país.
A análise do presidente estadual do PT combina a interpretação dos fatores que, segundo ele, favoreceram o desempenho de Lula no segundo turno com a expectativa de uma nova etapa na política nacional, marcada pela necessidade de diálogo e pela reorganização das forças partidárias.











