
Bois, tratores, caminhões, galpões e cercas. Tudo em tamanho reduzido, criado para estimular a imaginação e, ao mesmo tempo, despertar lembranças de quem já foi criança. Em Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina, Patrícia Both e o marido, Marcos Schuh, transformam madeira em pequenas réplicas do cotidiano rural.
A produção começou há três anos, depois de uma tentativa que não deu certo. Marcos havia ganhado algumas peças de madeira para construir caixas de abelhas, mas o projeto acabou sendo deixado de lado. O material, então, ganhou outra finalidade: virou uma pia e um fogão feitos de forma artesanal para os alunos da creche onde Patrícia trabalhava.
A reação dos pequenos fez o casal perceber que havia espaço para criar outras peças. Patrícia, que passou 13 anos trabalhando na educação infantil, já tinha o hábito de pensar em maneiras diferentes de estimular as brincadeiras.
"Eu sempre tive ideias de levar brinquedos diferentes para as crianças. Quando fizemos a pia e o fogão, vimos a alegria deles e isso nos motivou a começar a produzir", conta.
Depois dos primeiros utensílios, vieram caminhões, silos para armazenar ração e outras miniaturas inspiradas no campo. Com o tempo, as chamadas "fazendinhas" se tornaram um dos produtos mais procurados.
Os conjuntos reúnem bois, tratores, galpões, cercas e outros animais, permitindo que os pequenos criem cenários e histórias próprias. Para os adultos, porém, a experiência vai além da diversão. Segundo Patrícia, muitos pais se identificam com as peças por lembrarem momentos vividos quando eram crianças.
"Porque é algo que tem nostalgia. Os pais, quando compram, dizem que passam horas com os filhos porque lembra a infância", comenta.
Do campo para a miniatura
Eucalipto e pinus são as principais matérias-primas utilizadas por Marcos. O processo combina o trabalho manual com recursos tecnológicos, usados especialmente nos detalhes e acabamentos."Também usamos um sistema no computador para os acabamentos em laser", explica.
A proposta é criar objetos que estimulem a criatividade e também aproximem pais e filhos. O trabalho ainda busca oferecer uma alternativa ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos. "Tentar tirar as crianças das telas e ter algo que eles possam brincar ao ar livre, na terra ou na grama", destaca Marcos.
Assim, pequenas propriedades rurais, animais e máquinas agrícolas ganham novas histórias nas mãos dos pequenos — enquanto, para os adultos, cada peça pode trazer de volta uma lembrança de outros tempos.