
Uma novidade pode mudar o futebol brasileiro a partir das próximas temporadas. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta terça-feira (27) o primeiro modelo de profissionalização da arbitragem da história da entidade, iniciativa que altera de forma estrutural a forma como os árbitros passam a atuar no país.
O projeto estabelece a contratação, por temporada, de equipes fixas de arbitragem para conduzir as partidas do Brasileirão da Série A ao longo do ano. O novo formato prevê remuneração mensal, com salários fixos, taxas variáveis e bônus por desempenho, além da exigência de dedicação prioritária à função, sem obrigatoriedade de exclusividade.
Ao todo, 72 profissionais passam a integrar o quadro profissional da CBF. São 20 árbitros centrais, sendo 11 do quadro da FIFA (Federação Internacional de Futebol), 40 árbitros assistentes, com 20 credenciados pela FIFA, além de 12 árbitros de vídeo (VAR), todos com certificação internacional. Ao final de cada temporada, pelo menos dois profissionais de cada função poderão ser rebaixados, enquanto outros árbitros com melhor desempenho poderão ser promovidos.
Durante o lançamento do programa, realizado no Rio de Janeiro, o presidente da CBF, Samir Xaud, afirmou que a medida segue práticas adotadas por grandes federações do futebol mundial.
"É um movimento que segue as melhores práticas de outras grandes federações do mundo. Mais uma pauta que precisava ser estudada e discutida com todos os setores do futebol e implementada com firmeza, mas que estava adormecida na CBF", afirmou o presidente da confederação, Samir Xaud, durante evento de lançamento do novo programa, no Rio de Janeiro.
O dirigente também destacou que, até então, os árbitros brasileiros, mesmo atuando no mais alto nível do futebol nacional, não possuíam vínculo formal com a confederação, recebendo apenas por partida trabalhada. Para Xaud, a falta de estrutura adequada contribuía para erros e desgaste dos profissionais, muitas vezes expostos apenas em momentos de falhas, sem o suporte necessário em áreas como preparo físico, apoio psicológico e estabilidade financeira.
Com o novo modelo, os árbitros passarão a ser avaliados de forma sistemática por observadores e por uma comissão técnica contratada pela CBF. As avaliações considerarão critérios como controle de jogo, correta aplicação das regras, desempenho físico e clareza na comunicação, formando um ranking atualizado a cada rodada do campeonato.
Os profissionais também terão planos individualizados de treinamento, com rotina semanal de atividades físicas, monitoramento tecnológico e acompanhamento na área da saúde. Estão previstas quatro avaliações anuais, incluindo testes físicos e simulações de situações de jogo.
A rede de apoio contará com preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, com avaliações técnicas e físicas periódicas. A proposta é oferecer uma trilha de desenvolvimento contínuo para a arbitragem nacional.
O programa foi desenhado ao longo do último ano por um grupo de trabalho liderado por Netto Góes, Helder Melillo e Davi Feques. A elaboração envolveu a participação de 38 clubes das Séries A e B, além de consultores internacionais, árbitros, federações e associações.
A implementação oficial do novo modelo está prevista para março, quando as contratações e o padrão de funcionamento da arbitragem estarão plenamente em vigor. O investimento total anunciado pela CBF é de R$195 milhões para os biênios 2026 e 2027.









