
A escalada de tensão no Oriente Médio começa a provocar reflexos também no futebol internacional. O governo do Irã anunciou que a seleção nacional não pretende disputar a Copa do Mundo de 2026, alegando falta de segurança após os recentes ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos em conjunto com Israel.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (11) pelo ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali. Segundo ele, o país não vê condições políticas nem de segurança para participar da competição depois das ofensivas militares que resultaram na morte do líder supremo da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei.
De acordo com o ministro, a participação no torneio seria incompatível com o cenário atual. Ele afirmou que, diante das ações que atingiram o país e provocaram milhares de vítimas, o Irã não considera possível disputar o campeonato organizado pela Fifa.
O governo iraniano também argumenta que a segurança da delegação e dos torcedores não estaria garantida, especialmente porque o Mundial será realizado justamente em território norte-americano, além de México e Canadá, entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.
Dados divulgados por autoridades iranianas indicam que mais de 1.300 civis morreram desde o início dos bombardeios realizados por forças dos Estados Unidos e de Israel, iniciados em 28 de fevereiro. A escalada militar ampliou a instabilidade em toda a região do Golfo.
No sorteio da Copa do Mundo, realizado em dezembro, o Irã havia sido colocado no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Todas as partidas da chave estão previstas para acontecer em cidades dos Estados Unidos, sendo duas em Los Angeles e uma em Seattle.
A ausência do país já vinha sendo cogitada nos bastidores do futebol internacional. O Irã, inclusive, não participou da reunião de planejamento organizada pela Fifa na semana passada em Atlanta com representantes das seleções classificadas para o torneio.
Apesar do clima de tensão, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou recentemente ter conversado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tema. Segundo ele, o líder norte-americano teria dito que a seleção iraniana seria bem-vinda para disputar a competição no país.
Ainda assim, fontes ligadas ao governo em Teerã indicam que a decisão de não participar do Mundial já estaria tomada. A guerra também inviabilizaria a realização de amistosos e jogos preparatórios da seleção iraniana até o início do torneio.











