A presença de animais silvestres em áreas urbanas tem chamado a atenção de moradores de Pinhalzinho e de municípios da região. Cobras, gambás e porcos-espinhos estão entre as espécies encontradas próximas às residências, situações que frequentemente levam ao acionamento do Corpo de Bombeiros para a retirada dos animais.
O assunto foi abordado pelo biólogo Robelei Pieper, durante participação no programa Radar, da Rádio Centro Oeste. Na entrevista, o profissional explicou os fatores que contribuem para essas aparições e destacou que a aproximação dos animais com as cidades está relacionada, principalmente, às mudanças nos ambientes naturais.
Segundo Pieper, é importante diferenciar os animais domésticos, os exóticos e os silvestres nativos. Cães, gatos e outros animais domesticados dependem da convivência com os seres humanos, enquanto espécies nativas, como os gambás, têm origem em ambientes naturais, embora também possam ser encontradas em áreas urbanizadas.
O biólogo destacou que a redução e a fragmentação das florestas estão entre as principais causas da presença de animais silvestres nas cidades. Quando áreas de vegetação são separadas por estradas, construções e espaços urbanos, os animais enfrentam dificuldades para se deslocar entre os ambientes naturais.
“Um dos principais motivos é que a redução e a fragmentação de florestas fazem com que esses bichos estejam mais expostos à nossa presença”, explicou o especialista durante o Radar.
Conforme Pieper, a falta de corredores ecológicos, que são áreas de conexão entre fragmentos de vegetação, dificulta o deslocamento das espécies. Nesse cenário, os animais podem atravessar áreas urbanizadas em busca de outros espaços florestais, ficando mais expostos a riscos, como atropelamentos e encontros com seres humanos.
O biólogo ressaltou que, na maioria dessas situações, os animais não estão procurando permanecer nas residências. Eles podem encontrar abrigo temporário durante o deslocamento ou buscar locais que ofereçam condições favoráveis, como disponibilidade de água e alimento. Dependendo da espécie e da situação, esses espaços também podem servir de proteção durante o período reprodutivo.
O gambá é um dos exemplos citados pelo profissional, já que costuma aparecer em residências e pode se abrigar no forro das casas. Apesar da presença em ambientes urbanos, Pieper reforçou que a floresta continua sendo o habitat natural da espécie.
Diante dessas ocorrências, a orientação é manter a calma e evitar qualquer tentativa de capturar, tocar ou espantar o animal. Segundo o biólogo, deixá-lo tranquilo ajuda a evitar que a situação se agrave, reduzindo o risco de acidentes tanto para os moradores quanto para o próprio animal.
Após identificar a presença de um animal silvestre, a recomendação é manter distância e acionar o Corpo de Bombeiros ou as forças de segurança competentes para receber orientação e providenciar o atendimento necessário. A remoção deve ser realizada por profissionais capacitados, que poderão encaminhar o animal de volta ao habitat natural quando as condições permitirem.









