
O perfil do eleitor brasileiro vem passando por mudanças significativas nos últimos anos, com destaque para o avanço da chamada Geração Prateada. Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em informações do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu em ritmo muito superior ao do eleitorado geral nas últimas décadas.
Entre 2010 e março de 2026, o total de eleitores no país aumentou 15%, passando de 135,8 milhões para 156,2 milhões de pessoas aptas a votar. No mesmo período, o público com 60 anos ou mais teve crescimento de 74%, saltando de 20,8 milhões para 36,2 milhões. O estudo ainda indica que esse número pode aumentar até o dia 6 de maio, prazo final para regularização e cadastro eleitoral.
Os dados reforçam o peso desse segmento nas eleições, especialmente em cenários de maior polarização, como o observado no pleito de 2022. Segundo a análise, conquistar o voto da população 60+ tem se tornado cada vez mais estratégico para candidatos e partidos.
Outro ponto destacado é a mudança no comportamento desse eleitorado em relação à participação nas votações. A taxa de abstenção entre pessoas com mais de 60 anos apresentou queda nas últimas três eleições nacionais, passando de 37,1% em 2014 para 36,4% em 2018 e chegando a 34,5% em 2022. Em contrapartida, a abstenção geral aumentou no mesmo período, saindo de 19,4% para 20,9%.
Entre os eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, também foi registrada maior presença nas urnas. A abstenção caiu de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022, indicando maior engajamento desse grupo ao longo do tempo.
Além do crescimento como eleitores, os brasileiros com 60 anos ou mais também ampliaram sua participação como candidatos. Nas eleições municipais de 2024, mais de 70 mil pessoas dessa faixa etária disputaram cargos públicos, representando 15% do total de candidaturas, o maior número desde o início da série histórica em 1998.
O avanço já havia sido observado nas eleições gerais de 2022, quando 4.873 candidatos com 60 anos ou mais concorreram, equivalente a 17% do total. Os números confirmam uma tendência de maior protagonismo da população idosa tanto nas urnas quanto na disputa por cargos públicos no país.



