
Celebrado em 24 de julho, o Dia Mundial do Autocuidado chama a atenção para a importância de cada pessoa reservar tempo para cuidar da saúde física e mental. Mais do que uma atitude isolada, o autocuidado envolve escolhas diárias relacionadas à alimentação, ao descanso, à atividade física, às relações pessoais e ao respeito aos próprios limites.
Na manhã desta sexta-feira (24), a psicóloga Marli Rex participou do programa Radar, da Rádio Centro Oeste, e explicou que cuidar de si não significa abandonar responsabilidades, mas encontrar equilíbrio entre o trabalho, a família, a vida social e as necessidades individuais.
“Um autocuidado requer que eu me alimente bem, tire um tempo para caminhar e consiga fazer algumas coisas que me contemplem. Isso vale tanto para o trabalho quanto para a família e para o âmbito social”, afirmou.
Segundo Marli, é comum que as pessoas concentrem grande parte da energia em apenas uma área e acabem deixando outras de lado. Em alguns casos, a dedicação excessiva ao trabalho reduz o tempo destinado à família, ao descanso e até à própria saúde.
Para a psicóloga, atividades simples também representam formas importantes de autocuidado. Descansar, cuidar da alimentação, praticar exercícios, passear com um animal de estimação ou reservar alguns minutos para refletir são atitudes que ajudam a preservar o bem-estar.
“O fato de você refletir sobre si mesmo, perguntar quem sou eu, onde quero chegar e o que preciso para mim, também faz parte desse processo”, destacou.
Marli também alertou que conquistas financeiras e bens materiais não garantem, sozinhos, satisfação pessoal ou saúde emocional. Conforme explicou, o autocuidado exige atenção ao amor-próprio, aos sentimentos e às necessidades que muitas vezes são deixadas em segundo plano durante a rotina.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a dificuldade que algumas pessoas têm de recusar pedidos, compromissos ou responsabilidades. De acordo com a psicóloga, estabelecer limites não deve ser entendido como egoísmo.
“Dizer não, muitas vezes, é olhar para dentro de si e reconhecer: ‘eu não consigo’. São coisas básicas do dia a dia que precisamos observar para não irmos além dos nossos limites”, explicou.
Reconhecer o cansaço, diminuir o ritmo quando necessário e não assumir mais compromissos do que é possível cumprir são atitudes que também fazem parte da prevenção do desgaste físico e emocional.
Apesar dos avanços no debate sobre saúde mental, Marli afirma que algumas pessoas ainda sentem vergonha ou receio de procurar acompanhamento profissional. Segundo ela, há pacientes que passam meses pensando em marcar uma consulta antes de tomarem a decisão.
“Buscar ajuda psicológica não é um ato de fraqueza. Você pode procurar um psicólogo, um psiquiatra ou outro especialista da área de saúde mental”, ressaltou.
A psicóloga lembrou ainda que o acompanhamento não deve ser procurado somente diante de uma doença ou transtorno. A terapia também pode contribuir para o autoconhecimento, para a organização dos pensamentos e para a melhoria da qualidade de vida.
“Muitas vezes, a pessoa não quer necessariamente uma orientação. Ela quer uma escuta autêntica, sem julgamento. Muitas pessoas procuram o psicólogo porque querem ser ouvidas”, concluiu.