
O que deveria ser apenas uma pausa para o almoço colocou no mesmo restaurante, em Chapecó, duas pessoas que viviam momentos distintos na última sexta-feira (10). Marilei Calza acompanhava o filho, que passaria por uma cirurgia, enquanto o médico Arthur Conte Kasper, natural de Pinhalzinho, preparava-se para realizar procedimentos durante a tarde. O encontro inesperado entre os dois terminou com uma vida salva.
Marilei conta que estava ansiosa por causa da cirurgia do filho, embora a internação e os preparativos para o procedimento transcorressem normalmente. Durante o intervalo, ela e a irmã decidiram almoçar em um restaurante.
Em determinado momento, Marilei percebeu que havia se engasgado com um pedaço de alimento. Sem conseguir falar, levantou-se e colocou as mãos sobre a garganta para sinalizar à irmã que precisava de ajuda.
“Foi tudo muito rápido. Minha irmã levantou e tentou realizar o procedimento para me desengasgar, mas, apesar do esforço, não conseguiu. Outra pessoa também tentou me ajudar, mas não resolveu”, relatou.
A movimentação chamou a atenção de Arthur, que almoçava antes de uma tarde de cirurgias em Chapecó. Ao perceber várias pessoas reunidas ao redor da mesa e ouvir os pedidos de socorro, ele se aproximou, identificou-se como médico e assumiu o atendimento.
“Quando cheguei, estavam tentando realizar a manobra, mas não estavam conseguindo de maneira efetiva. Pedi licença, disse que era médico e comecei a fazer as manobras de Heimlich”, contou Arthur.
Enquanto o médico tentava desobstruir as vias aéreas, Marilei começou a perder as forças e a consciência do que acontecia ao redor.
“Foi um momento de desespero e angústia. Não conseguia mais respirar, meu corpo começou a ficar fraco e eu já não enxergava direito. Via tudo embaralhado”, relembrou ela.
Segundo Arthur, a mulher apresentava sinais de falta de oxigenação e estava próxima de perder a consciência. Quando o corpo dela relaxou, o médico conseguiu realizar a manobra de maneira efetiva e fazer com que o alimento fosse expelido.
“Foi uma questão de segundos. Quando ela estava quase apagando, relaxou o corpo e consegui fazer a manobra. Então ela voltou a respirar”, explicou.
Após a desobstrução, o atendimento continuou de uma forma mais humana. Ainda desesperada com o que havia acontecido, Marilei recebeu um abraço de Arthur, que permaneceu ao lado dela até que se acalmasse.
“As palavras dele foram fundamentais para que eu ficasse mais calma e tranquila. Se hoje estou viva e junto da minha família, é graças a Deus e ao doutor Arthur, que, mesmo no horário de almoço, não hesitou em me salvar. Ele foi um anjo que, junto com a minha irmã, salvou minha vida. Minha eterna gratidão”, declarou Marilei.
Acostumado a situações delicadas dentro da medicina, Arthur resumiu o episódio com naturalidade. Depois de verificar que Marilei estava bem, ele retornou à mesa e, posteriormente, seguiu para as cirurgias previstas para aquela tarde.
“O sentimento foi de ter resolvido a situação e salvado uma vida”, concluiu o médico.
O momento não foi registrado com vídeos ou fotos, nem após tudo estar resolvido, mas com certeza ficará marcado na memória de ambos, um almoço que terminou com uma vida salva.











