
A identificação e o acompanhamento de casos de esporotricose têm colocado em evidência a importância dos cuidados com animais e da prevenção de doenças que podem ser transmitidas para seres humanos. Em Pinhalzinho, o assunto foi tema da entrevista do programa Radar, da Rádio Centro Oeste, nesta quarta-feira (30), com a participação da médica veterinária Sara Campos e de representantes da administração municipal.
A esporotricose é uma doença fúngica causada por espécies do gênero Sporothrix. A enfermidade é considerada uma zoonose, já que pode ser transmitida de animais para seres humanos. Embora possa atingir diferentes mamíferos, os gatos são os principais animais afetados e também estão relacionados à maior parte das transmissões.
Durante a entrevista, Sara Campos explicou que uma das espécies do fungo, o Sporothrix brasiliensis, é especialmente adaptada aos gatos. Segundo ela, estudos genéticos realizados com fungos isolados no Brasil indicam que essa espécie está relacionada a mais de 90% dos casos registrados em felinos.
“A principal forma de transmissão é do gato, seja de gato para gato, do gato para cão ou do gato para o ser humano. Para o fungo infectar alguém, a pele dessa pessoa precisa ser lesionada. Quando o gato que já está doente morde ou arranha, ele lesiona a pele e coloca ali dentro os fungos, que começam a se multiplicar”, explicou a médica veterinária.
A transmissão ocorre principalmente por meio de arranhões, mordidas ou contato com lesões de um animal infectado. Dessa forma, um gato doente pode transmitir o fungo para outros gatos, cães e também para pessoas. A atenção é especialmente importante durante o manejo de animais que apresentam sinais suspeitos.
Sara também explicou que a evolução da doença pode variar de acordo com a espécie afetada. Nos gatos, a esporotricose pode apresentar maior agressividade e provocar quadros mais graves. Em cães e seres humanos, a doença tende a apresentar evolução mais lenta e menor agressividade, mas ainda exige atenção, diagnóstico e tratamento.
A presença da doença também representa uma preocupação de saúde pública devido ao seu potencial de transmissão para pessoas. Por isso, a orientação é evitar o contato direto com animais que apresentem lesões suspeitas e procurar orientação de profissionais da área veterinária ou da saúde.
Também participaram do programa Ivanete Althaus, da Vigilância Epidemiológica de Pinhalzinho, e o secretário de Administração da Prefeitura, João Paulo Gubert. Eles destacaram que o município está atento à situação, acompanhando os casos e atuando para oferecer o suporte necessário, além de adotar medidas para o controle da doença.
A orientação aos tutores é para que qualquer alteração suspeita seja avaliada por um médico veterinário. O diagnóstico e o tratamento adequados são importantes tanto para a recuperação do animal quanto para reduzir o risco de transmissão da esporotricose para outros animais e para as pessoas.




