
A fila de cirurgias eletivas em Santa Catarina chegou ao maior nível já registrado pelo governo estadual. Em setembro de 2025, 116 mil pacientes aguardavam por um procedimento cirúrgico no Estado, conforme dados oficiais obtidos por meio de pedido de informação apresentado pelo deputado estadual Fabiano da Luz (PT).
O número revela um agravamento da situação desde o início da atual gestão estadual. Em janeiro de 2023, a fila era de 107 mil pessoas. Desde então, a espera nunca voltou a ficar abaixo desse patamar e seguiu crescendo, mesmo após o governo lançar um programa com a promessa de zerar a fila de exames e cirurgias em até seis meses.
Além do volume de pacientes, os dados chamam atenção pelo tempo de espera. Em diferentes especialidades, a média ultrapassa 300 dias. O caso mais grave aparece nas cirurgias de mama, com espera média de 697 dias, quase dois anos. Também há longos prazos para cirurgias reparadoras, com 644 dias; procedimentos osteomusculares, com 420 dias; e cirurgias de vias aéreas superiores, face, cabeça e pescoço, com 366 dias.
Mesmo nas cirurgias oncológicas, que apresentam o menor tempo médio da lista, a espera chega a 66 dias. O prazo supera o limite previsto na legislação federal para o início do tratamento de pacientes com câncer pelo SUS. A Lei Federal 13.896/2019 estabelece até 30 dias para realização de exames em casos de suspeita da doença e até 60 dias para início do tratamento.
Para Fabiano da Luz, os dados oficiais desmontam o discurso do governo estadual sobre redução da fila na saúde pública. Segundo ele, a situação mostra que milhares de catarinenses continuam enfrentando dor, limitações e incerteza enquanto aguardam atendimento.
“Os dados oficiais mostram que a fila aumentou e atingiu o maior número da série histórica recente. São mais de 116 mil pessoas esperando uma cirurgia em Santa Catarina. Não estamos falando apenas de estatísticas, mas de pacientes convivendo diariamente com dor, limitações e sofrimento enquanto aguardam atendimento”, afirmou o parlamentar.
O tema também ganhou força após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado. Em abril de 2025, o governo publicou material com números sobre cirurgias realizadas, mas os dados foram contestados pelo TCE. Segundo o tribunal, somando todas as cirurgias eletivas feitas entre 2020 e 2024, o total chega a 485 mil procedimentos, menos da metade do volume divulgado pelo governo de Jorginho Mello em peças publicitárias.






