
Uma nova etapa da Operação Carbono Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira (24) para aprofundar a investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis e estruturas do mercado financeiro. A operação, denominada Crédito Oculto, é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal.
As medidas judiciais são cumpridas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Espírito Santo e Santa Catarina. No Estado catarinense, um dos endereços investigados fica em Itajaí. Ao todo, a ação mira pessoas físicas e jurídicas relacionadas às operações financeiras sob investigação.
Entre os principais alvos está Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial. Também são investigados os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, ligado à Entre Investimentos e que firmou acordo de delação premiada no caso envolvendo o Banco Master.
A apuração é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, iniciada em 2025 para investigar a infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis e a utilização de empresas e estruturas financeiras para lavagem de dinheiro. Nesta nova fase, os investigadores concentram-se na aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
Segundo o Ministério Público, a compra teria sido viabilizada por uma estrutura formada por banco, fundos de investimento, holdings, empresas de fachada e outros intermediários. A suspeita é de que esse arranjo tenha sido utilizado para afastar os recursos empregados na operação de seus verdadeiros financiadores e beneficiários.
Um dos mecanismos analisados envolve o Radford Fundo de Investimentos Multimercado. Conforme a investigação, R$ 100 milhões teriam sido aportados pela Usina Itajobi no fundo. O dinheiro teria sido aplicado em certificados de depósito bancário vinculados ao Banco Genial, que posteriormente concedeu crédito a empresas usadas na aquisição de ativos, entre eles a estrutura que controlava a Terrana.
Para os investigadores, a operação teria criado uma espécie de circuito financeiro no qual o banco aparecia formalmente como credor, enquanto os recursos utilizados para financiar os empréstimos tinham origem no próprio fundo. Documentos, contratos, mensagens e áudios apreendidos em fases anteriores da operação estão entre os elementos utilizados para aprofundar as suspeitas.
A investigação também aponta que empresas como Berna Holdings e Branson Holdings teriam sido criadas pouco antes da operação e utilizadas na estrutura financeira relacionada à compra da distribuidora. Segundo o Ministério Público, o objetivo seria dificultar a identificação dos reais proprietários dos recursos e dos negócios.
As autoridades ainda apuram a participação de executivos e intermediários nas negociações. As suspeitas apresentadas na operação são objeto de investigação e não representam, por si só, condenação dos envolvidos. O Banco Genial informou, segundo a Folha, que Humberto Tupinambá foi destituído da instituição em maio de 2026 e afirmou ter adotado medidas adicionais de governança e controle.



