
A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar mortes de bebês que teriam contraído infecções durante internações no Hospital Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na zona leste da capital paulista. Até o momento, o 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos de óbito, que teriam ocorrido em decorrência de sepse, choque séptico e outras complicações.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, uma advogada que representa familiares das vítimas, Eduarda Fragnan Gomes, afirma estar em contato com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses na unidade, que integra a rede Hapvida.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, os casos foram comunicados à polícia na quarta-feira (21). A investigação inclui depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise integral dos prontuários médicos, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias e as causas das mortes.
Caso de bebê de sete meses está entre os investigados
Um dos casos relatados ocorreu em abril de 2026, quando um bebê de quatro meses foi levado ao hospital após apresentar inflamação na garganta. Conforme o depoimento da mãe à Polícia Civil, a criança recebeu prescrição de amoxicilina e dipirona em gotas, sem a realização de exames naquele primeiro atendimento.
No dia seguinte, o bebê apresentou queda da temperatura corporal e palidez. Após nova avaliação, um médico identificou sinais de possível infecção pulmonar e solicitou exames, incluindo análises de sangue, que apontaram a presença de um processo infeccioso.
A criança foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebeu medicamentos intravenosos e precisou ser intubada. Durante a internação, o pé utilizado para a administração dos medicamentos sofreu necrose. Apesar da avaliação de um especialista vascular, não foi possível reverter o quadro. O bebê também teve a visão comprometida.
Após mais de um mês na UTI, em coma induzido, a criança foi transferida para a enfermaria ainda inconsciente. Segundo o relato da mãe, a equipe médica justificou a transferência pela elevada concentração de bactérias na unidade intensiva.
A mãe adquiriu um oxímetro por conta própria e identificou uma queda na saturação de oxigênio do filho, solicitando o retorno à UTI. Dois meses depois, o menino morreu, aos sete meses de idade.
Conforme as informações divulgadas pelo Metrópoles, a certidão de óbito registrou como causas choque séptico, encefalopatia hipóxico-isquêmica, sepse e pneumonia.
Polícia ouve profissionais e analisa prontuários
Outro caso mencionado envolve um recém-nascido de um mês de vida, com histórico de icterícia, que foi internado no Hospital Salvalus em março de 2026. Na ocasião, a criança foi submetida a um procedimento cirúrgico e recebeu medicamentos.
As circunstâncias desse e dos demais casos deverão ser esclarecidas no decorrer das investigações. Até o momento, as informações divulgadas apontam que a Polícia Civil trabalha para verificar as causas das mortes e apurar se houve relação com possíveis infecções adquiridas no ambiente hospitalar.
A investigação está em andamento, e as suspeitas ainda dependem de apuração pelas autoridades.