
O número de contratos de namoro registrados em cartórios brasileiros atingiu um recorde em 2025. De acordo com dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF), já foram formalizados 241 contratos neste ano, o maior volume desde que a modalidade passou a ser contabilizada pela entidade.
Especialistas apontam que o crescimento está relacionado principalmente ao aumento de novos relacionamentos entre pessoas divorciadas e viúvas com mais de 50 anos. Após experiências anteriores de casamento ou união estável, muitos optam por formalizar a relação afetiva sem que isso implique, neste momento, na constituição de uma união estável.
O contrato de namoro é um documento em que o casal declara oficialmente que mantém um relacionamento amoroso, mas sem a intenção de formar uma entidade familiar. Embora não impeça automaticamente o reconhecimento de uma união estável pela Justiça, o instrumento pode servir como elemento de prova sobre a intenção manifestada pelas partes.
Segundo o presidente do Colégio Notarial do Brasil, Eduardo Calais, o perfil de quem busca esse tipo de documento tem mudado nos últimos anos.
“São pessoas que já passaram por um casamento ou união estável, construíram patrimônio, criaram filhos e agora iniciam uma nova etapa da vida afetiva”, destacou.
Para especialistas, o aumento dos contratos também revela uma mudança cultural. Em vez de representar desconfiança entre os parceiros, o documento demonstra que os casais estão mais dispostos a discutir questões patrimoniais e financeiras logo no início do relacionamento, buscando maior segurança jurídica para ambas as partes.