
A confirmação de que o El Niño deve influenciar o clima em Santa Catarina nos próximos meses acende um sinal de atenção, especialmente para o período entre o inverno e a primavera. Apesar disso, especialistas reforçam que o cenário ainda exige acompanhamento constante e não permite conclusões definitivas neste momento.
A meteorologista Camila Cardoso explica que, diferentemente de eventos mais imediatos, como a passagem de frentes frias, o El Niño é um fenômeno de longa duração e desenvolvimento gradual.
“O que a gente tem são previsões. Em meteorologia, que é uma ciência natural, é muito complicado ter algo concreto. Trabalhamos com estimativas baseadas em modelos atmosféricos e oceânicos”, destacou.
Segundo ela, o processo começa com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que já está em andamento. A configuração oficial do El Niño ocorre quando há aquecimento acima de 0,5°C em uma área específica do oceano. De acordo com Camila, os modelos indicam a possibilidade de um evento de maior intensidade.

Mesmo com essa projeção, a meteorologista alerta para as incertezas quanto aos impactos diretos.
“A gente não sabe exatamente como esse El Niño vai refletir no comportamento das chuvas no Sul do Brasil. O que temos são evidências com base em anos anteriores”, ponderou.
Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento das chuvas na região. Quando o clima está sob a influência do El Niño, há maior probabilidade de chuvas mais volumosas no Sul. No entanto, ainda não há a previsibilidade de quais regiões exatamente terão esse maior impacto.
Segundo Camila Cardoso, a primavera, por si só, já é um período com maior frequência de temporais no Grande Oeste catarinense, o que exige atenção redobrada.
“A primavera é naturalmente tempestuosa. Setembro e outubro já costumam ter mais temporais, então vamos precisar acompanhar o que é evidência e o que ainda é especulação”, explicou.
A profissional diz que a orientação, neste momento, é de monitoramento e preparo, sem alarmismo.
“Em princípio, podemos ter chuvas acima da média. Mas se teremos extremos, onde e quando eles vão ocorrer, ainda não é possível afirmar. Isso depende da evolução das condições nos próximos meses”, concluiu a meteorologista.







