
O Rio Grande do Sul amanheceu neste sábado (2) diante de um cenário de destruição após um temporal intenso que atingiu o estado entre a tarde de sexta-feira (1º). Ao menos 19 municípios registraram impactos severos, com alagamentos generalizados, estradas interrompidas, queda de árvores e centenas de pessoas fora de casa.
A situação mais grave foi registrada em Rosário do Sul, onde a chuva alcançou impressionantes 324 milímetros em apenas sete horas. O volume extraordinário inundou 225 residências e obrigou 512 moradores a deixarem suas casas às pressas, buscando abrigo com familiares e amigos.
O avanço rápido da água e a força do temporal também levantam suspeitas sobre duas mortes. Em Canguçu, um jovem de 24 anos pode ter sido vítima de uma descarga elétrica durante a tempestade. Já em Bom Retiro do Sul, uma mulher de 25 anos morreu após ser atingida pela queda de um eucalipto na zona rural.
Outro ponto de preocupação é o desaparecimento de três pescadores na região de Pelotas, mobilizando equipes de busca em meio às condições ainda instáveis.
Mesmo com a gravidade do cenário, não houve, até o momento, necessidade de abertura de abrigos públicos. A Defesa Civil segue em campo avaliando os danos e não descarta a decretação de situação de emergência nas áreas mais atingidas.
O temporal castigou diversas regiões do estado. Municípios como São Gabriel, Caçapava do Sul e Vila Nova do Sul registraram acumulados superiores a 200 milímetros. Em São Gabriel, pelo menos 21 famílias tiveram que abandonar suas residências.
Outras cidades também sofreram com os efeitos do mau tempo. Houve alagamentos em Santa Maria, Uruguaiana, Encruzilhada do Sul e Alegrete, enquanto Nova Palma e Júlio de Castilhos enfrentaram queda de granizo, ampliando os prejuízos.
Na capital, Porto Alegre, o volume de chuva ultrapassou 100 milímetros em 24 horas em bairros como Guarujá e Lami. Foram ao menos 14 ocorrências registradas, incluindo danos em telhados, vias alagadas e a queda de uma árvore sobre uma residência no bairro Vila Nova, sem registro de feridos.
A mobilidade também foi fortemente afetada. A RS-348 teve trechos bloqueados após destruição de desvio e danos no asfalto, enquanto a BR-290 chegou a ser interditada devido à elevação de arroios, sendo liberada apenas na madrugada.
Com o solo encharcado e previsão ainda instável, a Defesa Civil mantém alerta para risco de deslizamentos em diversas regiões, enquanto o Instituto Nacional de Meteorologia reforça o perigo de novos eventos extremos, com possibilidade de mais chuva intensa, ventos fortes e granizo.



