
O fascínio humano pelo desconhecido – e as teorias que surgem na tentativa de explicar fenômenos aparentemente inexplicáveis – tem tido terreno fértil nas luzes que, desde o dia 4 de novembro, frequentam os céus do Sul do Brasil.
A história ganhou força após a divulgação, na internet, de diálogos entre operadores de voo e pilotos, profissionais que, apesar de habilitados para identificar os mais diversos fenômenos atmosféricos, se mostraram surpresos com o que estavam testemunhando.
Satélites
No caso específico das luzes em movimento uniforme, o astrônomo tem uma explicação, fruto de uma investigação já publicada por ele na internet. No site, é possível ver algumas das filmagens desses objetos. “São os satélites da Starlink, uma das empresas do Elon Musk. Esses satélites têm uma superfície metálica, com sua base voltada à Terra apresentando anteparos que refletem de forma mais intensa a luz. Fiz todos os cálculos, considerando o posicionamento dos satélites e dos observadores, além do ângulo de iluminação da Terra e dos satélites”, disse à Agência Brasil o astrônomo ao detalhar a pesquisa publicada no link acima.
“Tudo está batendo, com relação às aparições das luzes em movimento uniforme”, garantiu.
Os reflexos desses novos satélites já vinham sendo relatados pela comunidade científica. “Houve inclusive muita pressão contra a empresa, pelo fato de esses satélites estarem atrapalhando as observações no céu”. Segundo De Cicco, a Starlink chegou a assumir, como compromisso, o de dar um tratamento de brilho diferenciado nas superfícies dos próximos satélites, que orbitam a cerca de 550 km da superfície, para evitar tais reflexos.
Explicação
“Essa rede de constelação de satélites orbita muito em latitudes nos extremos norte e sul, em meio a sombras e penumbras. Quando vai chegando o verão, os satélites passam de forma mais rápida pela penumbra e acabam sendo iluminados nas partes voltadas à superfície, causando reflexos que ficam mais visíveis no sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai. Isso vai acontecendo de maneira cada vez mais frequente com a chegada do verão. Posteriormente, diminuirão”, explicou.
Com relação aos registros de celulares a bordo do avião que mostram luzes “aparentemente paradas”, o astrônomo explica que essa percepção provavelmente se deve a “efeitos de movimentos relativos e paralaxe”. Essa percepção é relativa e decorre da resultante dos movimentos do observador e do objeto.
Há também registros de câmeras de alta definição que, segundo De Cicco, mostram “características de rastro de meteoros”.
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