
O cirurgião dentista, Celso Bazzan é o primeiro pinhalense a completar o Caminho de Santiago de Compostela. Durante 28 dias caminhou mais de 764 km, no chamado Caminho Francês que inicia em St. Jean Pied de Port (França) e culmina em Santiago de Compostela (Espanha). Este é o caminho mais antigo dos peregrinos registrado há mais de 1200 anos. A “romaria” dos viajantes iniciou com a descoberta do túmulo de Tiago, apostolo de Cristo, onde fiéis percorriam o trajeto para cumprir penitência. A Rota Francesa percorre nove províncias da Espanha: Navarra, Huesca, Zaragoza, La Rioja, Burgos, Palencia, León, Lugo e A Coruña.
Nesta segunda (15), a convite da RCO, Bazzan participou do programa Radar e contou sobre a aventura. Ele disse que o caminho percorrido foi uma forma de adquirir mais conhecimento e de agradecer pelas coisas boas que aconteceram em sua vida. “Em nenhum momento me senti mau ou receio de não ter apoio. Eu tenho por característica de conhecer histórias, de saber como viviam e como as coisas aconteciam. Além do conhecimento, foi uma forma de agradecimento por tantas coisas que eu vivi e que conquistei. Dentre as coisas boas os valores que recebemos de casa e passamos para os nossos familiares, sendo os maiores patrimônios”.
Foram aproximadamente 800 quilômetros percorridos em menos de um mês; o dentista contou sobre a preparação que realizou para cumprir o desafio, fazendo longas caminhadas e passando por avaliações clínicas. “Eu comecei a fazer uma preparação voltada para o físico. Com academia e caminhadas. Passei por avaliações clínicas e fui melhorando a minha condição, me sentindo mais seguro com isso. O desafio foi muito maior do que eu esperava, dependendo do tipo de relevo, caminhando de seis a nove horas por dia”.

Durante a caminhada, Bazzan contou que em uma parte do trecho teve um imprevisto – machucou uma unha, dificultando o desafio. “Consegui realizar todo o trajeto, mas tive um problema em uma unha que acabou machucando. Com a unha infeccionada limitou minhas condições”.
A mochila que o pinhalense carregou no trajeto tinha capacidade de 50 litros, e ele precisou selecionar apenas itens essenciais para levar, como: medicamentos, curativos, material de higiene e roupas para frio e chuva. “O caminho ensina que precisa de pouca coisa, o essencial. Nos primeiros momentos, você ainda sente o pesa da mochila e partir de três dias, parece que alguém carrega ela para você. O silêncio faz a gente enxergar o que no dia a dia não tiramos o tempo para isso”, recorda.

Ao longo do percurso, moradores de povoados montam pontos de apoio aos peregrinos, deixando lanches e água à quem sentir necessidade. Na entrevista, Bazzan contou não haver custo para fazer o lanche, apenas há uma caixinha que recebe doações voluntárias. Ele também disse que o trajeto é seguro. “É muito seguro, em nenhum momento fiquei com receio de que aconteceria algo. Até mesmo nos albergues, eles têm algumas regras que devem ser seguidas”.

O marco final do trajeto é na catedral e o pinhalense contou que não conseguiu segurar as lágrimas quando o avistou. “A emoção não se segura. É uma combinação de emoção com desafio superado, ganho pessoal e lembranças de todas as formas. A energia é muito forte”, revelou.

Veja a entrevista completa do pinhalense:
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