
O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 79,5% em janeiro, o maior nível já registrado, igualando o recorde observado em outubro do ano passado. O dado considera compromissos como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos, e mostra um avanço em relação a dezembro, quando o índice estava em 78,9%.
As informações fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Na comparação anual, o crescimento também chama atenção, já que em janeiro de 2025 o endividamento alcançava 76,1% das famílias.
O levantamento indica que o endividamento é mais intenso entre famílias com renda de até três salários mínimos, grupo no qual o índice chega a 82,5%. Já entre aquelas com rendimento superior a dez salários mínimos, o percentual recua para 68,3%. Desde janeiro, o salário mínimo passou a ser de R$1.621.
Entre os tipos de dívida, o cartão de crédito segue como o principal responsável pelo endividamento, presente em 85,4% dos lares com contas a pagar. Em seguida aparecem os carnês (15,9%), o crédito pessoal (12,2%), o financiamento habitacional (9,6%) e o financiamento de b(8,7%), além de outras modalidades com menor participação.
A pesquisa aponta ainda que o tempo médio restante para quitação das dívidas é de 7,2 meses. Em média, as famílias comprometem 29,7% da renda mensal com pagamentos, mas 19,5% afirmam gastar mais da metade do orçamento com dívidas. O estudo ouviu cerca de 18 mil famílias em todo o país.
Apesar do recorde de endividamento, a inadimplência apresentou recuo pelo terceiro mês consecutivo, ficando em 29,3% em janeiro. O índice é maior entre famílias de menor renda, chegando a 38,9% nos lares com até três salários mínimos. O tempo médio de atraso é de 64,8 dias, e 12,7% dos entrevistados afirmaram que não terão condições de quitar as dívidas vencidas.



