
A entrada em vigor de uma nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou o governo federal a reforçar o apoio aos setores exportadores. Nesta quarta-feira (22), foi anunciado um pacote de R$18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas afetadas pelas medidas norte-americanas.
Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa dá continuidade ao programa criado em 2025, durante a primeira elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos. A primeira etapa disponibilizou R$30 bilhões e a segunda, lançada em março deste ano, outros R$21 bilhões.
Dos recursos previstos para a nova fase, R$13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e R$5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco será responsável por elaborar o plano de aplicação, que deverá passar pela aprovação de um conselho interministerial.
As empresas poderão utilizar o crédito para capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos e prospecção de novos mercados. As taxas variarão conforme a finalidade e o porte do empreendimento, ficando entre 3% e 9,8% ao ano.
O impacto da medida norte-americana deverá alcançar aproximadamente 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, conforme estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A parcela atingida corresponde a cerca de US$5,8 bilhões em vendas.
Madeira, móveis, cerâmica, máquinas, equipamentos, calçados e açúcar aparecem entre os segmentos mais expostos ao aumento das tarifas. O programa também foi ampliado para atender áreas consideradas estratégicas, como agricultura, pecuária, mineração, fertilizantes e as indústrias química, farmacêutica, têxtil e automotiva.
Outra mudança é a inclusão de empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas com negócios no Golfo Pérsico. Também será permitido financiar adequações sanitárias, ambientais, de rastreabilidade e de conformidade exigidas para a entrada dos produtos em outros países.
Apesar do reforço financeiro, o governo brasileiro informou que continuará negociando com os Estados Unidos. A posição oficial é buscar a revisão das tarifas pela via diplomática, sem adotar, neste momento, medidas imediatas de retaliação comercial





