
A atividade da indústria catarinense recuou 0,7% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (10).
Entre os segmentos que apresentaram as maiores quedas estão a fabricação de móveis, com recuo de 10,2%, e a produção e confecções de artigos do vestuário e acessórios, que caiu 9,5%.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, o desempenho do setor moveleiro foi influenciado pelas restrições às exportações para os Estados Unidos.
"Em julho o setor de móveis voltou a sofrer restrições às exportações para os Estados Unidos, o que foi determinante para a queda", lembra Seleme.
No acumulado dos últimos 12 meses, a atividade do segmento de móveis apresenta queda de 14,6%.

Na contramão do resultado geral, o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias registrou crescimento de 13,8% em julho, na comparação anual.
Para a FIESC, o resultado pode estar relacionado à transição gradual dos veículos movidos a combustão para modelos elétricos, além da ampliação progressiva do conteúdo nacional nos veículos produzidos no país.
Dos 14 segmentos analisados pelo IBGE em Santa Catarina, nove registraram queda na atividade em julho, enquanto cinco apresentaram crescimento.
Para os próximos meses, a FIESC avalia que o cenário exige cautela por parte das empresas. O economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, destaca os efeitos da inadimplência e do comprometimento da renda das famílias sobre a atividade econômica.
"A elevação da inadimplência e do comprometimento da renda das famílias com dívidas recomendam cautela adicional na gestão da liquidez e do endividamento empresarial", alerta.
Segundo Bittencourt, esse cuidado ganha importância diante das eleições de outubro, que deverão definir os rumos da política econômica a partir de 2027.
Por outro lado, a redução dos juros e o crescimento acumulado da renda disponível podem contribuir para uma recuperação da produção industrial catarinense. De acordo com a análise da FIESC, esses fatores podem favorecer o consumo das famílias e melhorar as condições de financiamento das empresas.




