
A dificuldade de acesso ao crédito segue como um dos principais obstáculos para o desempenho da indústria brasileira. Pesquisa divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que os juros elevados têm impacto direto sobre a decisão das empresas de buscar financiamento, especialmente em um cenário de política monetária restritiva.
De acordo com o levantamento, oito em cada dez indústrias que enfrentaram problemas para obter crédito de curto ou médio prazo apontaram as taxas de juros como o maior impedimento. O estudo ouviu 1.789 empresas entre fevereiro e julho de 2025, abrangendo companhias de pequeno, médio e grande porte.
Além do custo financeiro, outros fatores também dificultam a contratação de empréstimos, como a exigência de garantias reais, citada por 32% das empresas, e a ausência de linhas de crédito adequadas às necessidades do setor, mencionada por 17%. Esses entraves tornam o financiamento menos atrativo, sobretudo para projetos produtivos.
No crédito de longo prazo, com prazos superiores a cinco anos, a situação se repete. Segundo a CNI, 71% dos empresários atribuem as dificuldades novamente aos juros altos, seguidos pela exigência de garantias e pela limitação de produtos financeiros compatíveis com investimentos de maior fôlego.
O cenário levou muitas empresas a desistirem de buscar recursos. Mais da metade das indústrias não tentou contratar ou renovar crédito de longo prazo, enquanto quase metade evitou operações de curto e médio prazo. Apenas uma parcela reduzida conseguiu efetivar novos financiamentos no período analisado.
O impacto é mais intenso entre as médias empresas, que registraram os maiores índices de frustração tanto no crédito de curto quanto no de longo prazo. Para a entidade, o custo elevado do dinheiro compromete a capacidade de investimento, reduz a competitividade e limita o crescimento da indústria nacional.
