
A falta de definição sobre os recursos federais destinados às rodovias de Santa Catarina em 2027 e os possíveis impactos do fim da escala de trabalho 6x1 estão entre as preocupações do setor produtivo catarinense. Os assuntos foram discutidos nesta segunda-feira (19), durante reunião do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM), na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), em Florianópolis.
Um dos principais pontos de atenção é o orçamento previsto para a manutenção e a ampliação da malha rodoviária federal no estado. Até o momento, não há definição sobre o volume de recursos que será destinado a Santa Catarina em 2027. A preocupação envolve rodovias estratégicas para a economia catarinense, como as BRs 470, 280 e 282, que demandam investimentos em infraestrutura.
Para as entidades empresariais, a falta de recursos pode comprometer a logística, aumentar os custos de transporte e reduzir a competitividade das empresas catarinenses. A situação também envolve a segurança viária. Santa Catarina registra 18 mortes por 100 quilômetros de rodovia federal, o dobro da média nacional, de nove óbitos na mesma extensão. Os números reforçam a necessidade de investimentos para melhorar as condições das estradas.
As condições climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño também preocupam o setor produtivo. O aumento das chuvas tem provocado restrições à navegação nos portos, com atrasos e cancelamentos de embarques.
Os efeitos podem atingir diretamente a indústria catarinense, com aumento dos custos logísticos e atrasos na entrega da produção, principalmente nas operações destinadas ao mercado externo. As dificuldades no escoamento de mercadorias representam mais um desafio para as empresas que dependem da estrutura portuária para manter seus prazos e compromissos comerciais.
Outro tema debatido foi a aprovação, pelo Senado, do fim da escala de trabalho 6x1. Segundo as entidades que integram o COFEM, uma eventual redução da jornada de trabalho terá impactos em diferentes setores da economia, especialmente em um cenário de escassez de mão de obra qualificada em Santa Catarina e no país.
A preocupação é maior entre empresas de pequeno e médio portes, principalmente dos setores de comércio e serviços, que podem enfrentar dificuldades para contratar profissionais e reorganizar suas equipes. Para o conselho, a mudança pode ampliar os desafios relacionados à contratação de trabalhadores e elevar os custos operacionais.
Um estudo da FIESC estima que a redução da jornada de trabalho poderá aumentar em 11,4% o custo do trabalho em Santa Catarina. A análise também aponta o risco de extinção de 41,4 mil empregos no estado, dos quais 19,1 mil seriam na indústria.
O COFEM reúne entidades representativas de diferentes segmentos da economia catarinense: as federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (FECOMÉRCIO), da Agricultura (FAESC) e dos Transportes (FETRANCESC), além da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e dos Empreendedores Individuais de Santa Catarina (FAMPESC) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Santa Catarina (Sebrae-SC).











