
Mesmo sem falar e ouvir, Alcidir e Andriane Lauermann construíram uma vida baseada em parceria, adaptação e afeto em Sul Brasil, no Oeste de Santa Catarina. Pais de duas meninas, Amanda, de 5 anos, e Ana Gabriela, de 10, o casal enfrenta com dedicação os desafios.
No dia a dia, a comunicação dentro de casa acontece por meio de gestos e sinais. As meninas, que escutam e se comunicam normalmente, aprenderam desde cedo a conviver com essa realidade. Para fazer compras, por exemplo, Alcidir escreve em um papel tudo o que precisa pedir no comércio.
Alcidir possui apenas 30% da visão e é aposentado. Ele cuida do almoço e dos serviços domésticos enquanto Andriane trabalha em um laticínio. Apesar das limitações, o casal conseguiu construir a própria residência e manter a rotina com autonomia.
A história de Alcidir e Andriane começou ainda jovens. Eles se conheceram na região, mas chegaram a viver separados por um período, quando Alcidir foi trabalhar no Litoral. A relação, no entanto, resistiu à distância.
“A Andriane mandava cartinhas para ele como não havia telefone na época. Depois, ele voltou, namoraram um ano e se casaram”, conta Cleonice dos Santos, irmã de Alcidir.
Apoio da irmã fortalece comunicação da família
Moradora de Pinhalzinho, Cleonice tem 36 anos e está se graduando em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A escolha pela formação surgiu da convivência com o irmão e a cunhada e da necessidade de ajudá-los.
Apesar da distância entre as cidades — Cleonice vive em Pinhalzinho e o casal em Sul Brasil — o contato é diário, principalmente com o uso da tecnologia. Chamadas de vídeo e mensagens ajudam a resolver situações simples e a manter o vínculo familiar.