
Em Modelo, no Oeste de Santa Catarina, basta o Internacional vencer um Gre-Nal que a vizinhança já sabe: seis bandeiras vermelhas tremulam na varanda da casa de Nilvo Kammler, de 76 anos. É o sinal inconfundível de que o Colorado ganhou.
Conhecido na cidade pela simplicidade, Nilvo fez do amor pelo Inter uma extensão de si mesmo. Ele tem nove camisas e usa elas delas todos os dias, como se fosse uma “segunda pele”. A rotina é sagrada: acorda, escolhe o modelo (desde os mais novos até os antigos) e veste.
A devoção atravessa gerações. Dois dos netos seguiram o exemplo do avô e também são fanáticos pelo clube gaúcho. Em dias de jogos, a família se reune na residência de Nilvo para acompanhar as partidas.
Mas a história do aposentado vai além do futebol. Durante 22 anos, ele trabalhou em um depósito de bebidas, transportando cachaça e cerveja. A ironia é que, mesmo cercado de garrafas e engradados por mais de duas décadas, Nilvo não bebe nada que contenha álcool.
"Sempre trabalhei com bebida, mas nunca tive vontade de beber", conta, com tranquilidade.
A autenticidade é uma das marcas que o tornaram figura conhecida. Quem passa pela rua logo reconhece o imóvel enfeitado. Quando não está acompanhando notícias do time ou conversando sobre esportes, Nilvo dedica o tempo à música.
Aos 12 anos, aprendeu a tocar gaita de boca, instrumento que o acompanha até hoje. Ele ensaia músicas para passar o tempo e diz que a melodia ajuda a manter a mente leve.
